Das curvas aos 490 km/h, da alta-costura automóvel ao adeus do W16
A promessa feita em 2021
Em 22 de fevereiro de 2021, a SPUNIQCARS publicou “Bugatti Chiron – a monstruosidade ganha beleza e um novo coração em forma de W16”. Nesse artigo explicámos detalhadamente o ponto de partida: Louis Chiron, a genealogia Bugatti, a forma, a monocoque em fibra de carbono, o W16 de 7.993 cm³ com quatro turbocompressores, a transmissão de dupla embraiagem e sete relações, a tração integral, a gestão térmica e a combinação aparentemente impossível entre 1.500 PS, luxo e utilização real.
Também deixámos uma promessa: as versões especiais seriam tratadas depois. O “depois” chegou — e trouxe consigo algo mais interessante do que uma lista de pinturas raras.
O Chiron original estabeleceu uma plataforma técnica suficientemente ampla para conter contradições. Podia ser civilizado a baixa velocidade e devastador quando os quatro turbos enchiam os 16 cilindros; podia envolver os ocupantes em couro e alumínio polido e, pouco depois, transformar ar, combustível e aderência numa demonstração de física aplicada. A partir dessa base, a Bugatti perguntou repetidamente: e se deslocarmos o centro de gravidade conceptual deste automóvel?
Primeiro, aumentou a precisão sem sacrificar o conforto. Depois, colocou a agilidade acima da velocidade máxima. Em paralelo, perseguiu a eficiência longitudinal até atravessar uma fronteira que durante décadas parecera absurda. Mais tarde, converteu a velocidade extrema num grand tourer mais completo, transformou património histórico em séries limitadas e elevou a personalização ao nível de obra encomendada. No fim, escreveu o número 500 na carroçaria do último exemplar.
Não recontaremos aqui extensamente aquilo que o artigo de 2021 já estabeleceu. Este texto começa onde esse terminou: com o Chiron pronto e a arquitetura W16 prestes a descobrir quantas personalidades conseguia suportar.

Antes dos nomes: a taxonomia que evita confusões
Nem tudo o que utiliza componentes, motor ou conhecimento desenvolvido para o Chiron é uma “versão especial do Chiron”. Para manter rigor editorial, esta genealogia separa quatro categorias:
- Evoluções fundamentais: Chiron Sport, Pur Sport, Super Sport, Super Sport 300+ e Profilée. Embora construído num único exemplar, o Profilée é aqui tratado editorialmente como derivação técnica da família — e não como simples one-off decorativo — porque foi concebido como potencial série, plenamente desenvolvido e homologado individualmente pela Bugatti.
- Edições especiais Chiron: séries limitadas que mantêm a especificação mecânica da base escolhida, mas acrescentam um programa histórico, cromático e artesanal coerente: “110 ans Bugatti”, Edition “Chiron Noire”, “Les Légendes du Ciel” e L’Ébé.
- Sur Mesure e exemplares únicos: encomendas com intervenção criativa extraordinária, incluindo antecedentes anteriores à formalização do programa em dezembro de 2021.
- Modelos parentes, mas autónomos: Divo, Centodieci e La Voiture Noire. Partilham ADN técnico profundo com o Chiron/W16, mas a própria Bugatti coloca-os no domínio do coachbuilding moderno — “few-off” ou “one-off” — e não entre as simples variantes Chiron.
Esta distinção não é preciosismo semântico. Uma afinação de amortecedores e diferenciais muda o comportamento; uma carroçaria integralmente nova muda a relação do automóvel com o ar; um programa Sur Mesure muda a relação do cliente com o objeto; um Divo ou um Centodieci muda o próprio estatuto do projeto.
A árvore genealógica técnica
O tronco é o Chiron de 2016. O primeiro ramo, Chiron Sport, nasce em 2018 para obter maior precisão. Desse trabalho deriva a lógica que culmina no Pur Sport de 2020, radicalmente orientado para dinâmica lateral, e no Profilée, concebido como interpretação mais elegante e menos extrema dessa mesma filosofia.
O segundo grande ramo nasce do programa de velocidade de 2019. O veículo de pré-produção que alcançou 490,484 km/h deu origem à série Super Sport 300+; a experiência de aerodinâmica Longtail, motor de 1.600 PS, pneus e estabilidade foi depois convertida no Super Sport de 2021, um grand tourer de 440 km/h mais abrangente.
Em redor destes dois ramos técnicos cresceram as séries comemorativas e a personalização: primeiro como encomendas extraordinárias, depois sob a estrutura formal Bugatti Sur Mesure. A árvore termina no L’Ultime, simultaneamente Super Sport, Sur Mesure, Chiron n.º 500 e síntese visual de oito anos de história.
I — EVOLUÇÕES FUNDAMENTAIS DA FAMÍLIA CHIRON
Chiron Sport: a primeira afinação séria
Apresentado no 88.º Salão Automóvel Internacional de Genebra, em 6 de março de 2018, o Chiron Sport respondeu a um pedido muito específico: clientes que queriam sentir o automóvel mais vivo em estradas sinuosas e pistas de handling, sem perder o conforto, a facilidade de utilização nem a velocidade longitudinal do Chiron original.
Por isso, a Bugatti não aumentou a potência. O W16 manteve 1.500 PS e 1.600 Nm; a caixa de dupla embraiagem com sete relações, a tração integral e as prestações declaradas permaneceram essencialmente iguais. A mudança estava na forma como o automóvel recebia, distribuía e comunicava as forças.
O pacote “Dynamic Handling” introduziu uma estratégia de controlo dos amortecedores que, no modo Handling, os tornava em média 10% mais firmes. A direção recebeu nova calibração. O diferencial traseiro foi otimizado e surgiu o Dynamic Torque Vectoring, capaz de distribuir binário individualmente entre as rodas de cada lado para melhorar a entrada e a rotação em curva; ao contrário da afinação mais rígida dos amortecedores, esta função atuava em todos os modos de condução.
A redução aproximada de 18 kg resultou de várias intervenções pequenas e inteligentes: novas jantes mais leves; estabilizador, cobertura do intercooler e braços dos limpa-para-brisas em fibra de carbono; vidro traseiro aligeirado; e defletor de escape mais leve. Os limpa-para-brisas merecem um parágrafo próprio porque a Bugatti conseguiu transformar até a chuva numa oportunidade de engenharia: os braços em carbono integravam na própria estrutura a flexibilidade normalmente assegurada por articulações, recebiam extremidades de alumínio impressas em 3D e poupavam 1,4 kg, ou 77% face ao conjunto anterior.
No circuito de handling de Nardò, a marca registou uma volta cinco segundos mais rápida do que com o Chiron de base. É um dado de desenvolvimento do fabricante, não um recorde independente; ainda assim, demonstra a natureza da intervenção. O Sport não precisava de ganhar a discussão do velocímetro. Precisava de chegar à corda de uma curva com menos hesitação e sair dela com mais precisão.
Visualmente, identificava-se pelas jantes “Course” e pelo defletor de escape com quatro saídas circulares, em vez das terminações retangulares do Chiron. Elementos interiores em alumínio anodizado preto, inscrições Sport e combinações cromáticas mais assertivas davam-lhe identidade, mas a estética continuava subordinada ao trabalho invisível do chassis.

Chiron Pur Sport: quando 1.500 PS aprendem a procurar curvas
Revelado em 3 de março de 2020, o Pur Sport não foi um Chiron Sport com asa maior. Foi uma reordenação das prioridades do automóvel: menos velocidade máxima, mais aderência, resposta, rotação em curva e aceleração utilizável. A Bugatti ouviu clientes que pediam uma máquina para estradas de montanha, ligações sinuosas e circuitos — não apenas para a rara ocasião em que a linha reta parece não terminar.
O W16 conservou 1.500 PS e 1.600 Nm, mas o regime máximo subiu 200 rpm, para 6.900 rpm. Sobretudo, 80% da transmissão foi revista: conjunto de engrenagens, quatro veios e sete relações foram adaptados, produzindo uma relação global 15% mais curta do que no Chiron Sport. Os saltos entre mudanças diminuíram, o motor permaneceu mais tempo na zona de resposta plena e a elasticidade melhorou 40% face ao Chiron, segundo a Bugatti. A velocidade máxima ficou limitada a 350 km/h — não por falta de potência, mas porque a carga aerodinâmica adicional alterava as exigências estruturais e energéticas.
No chassis, as molas dianteiras ficaram 65% mais firmes e as traseiras 33%; o controlo adaptativo dos amortecedores foi recalibrado; o camber negativo chegou a 2,5 graus; estabilizadores em fibra de carbono reduziram o rolamento. A ligação entre chassis, suspensão e carroçaria tornou-se 130% mais rígida à frente e 77% atrás. O modo Sport+ atrasava a intervenção do controlo de tração em piso seco e circuito, permitindo ao condutor experiente trabalhar com ângulos de deriva maiores sem simplesmente desligar a rede de segurança.
As jantes de magnésio desenvolvidas para o modelo retiravam 16 kg de massas não suspensas. Podiam receber lâminas aerodinâmicas periféricas que extraíam ar da roda e o conduziam longitudinalmente, reduzindo turbulência e melhorando ventilação. Placas de suporte das pastilhas em titânio poupavam mais 2 kg; discos revistos retiravam outro quilograma. A redução total anunciada era de 50 kg, embora a ficha técnica conservasse 1.995 kg DIN por o Pur Sport não ter sido homologado como variante separada — um exemplo perfeito de como “peso declarado” e “massa efetivamente retirada por engenharia” nem sempre cabem na mesma célula de uma tabela.
Os Michelin Pilot Sport Cup 2 R específicos, 285/30 R20 à frente e 355/25 R21 atrás, usavam construção e mistura orientadas para aderência, elevando em 10% a aceleração lateral segundo a marca. Na ficha técnica mais recente, o Pur Sport atinge 1,6 g em modo Handling, acelera de 0 a 100 km/h em 2,3 s, a 200 em 5,5 s e a 300 em 12,4 s.
A aerodinâmica completou a transformação. Um splitter dianteiro muito avançado, tomadas maiores, extração otimizada nas cavas das rodas, carroçaria mais baixa, enorme difusor e asa traseira fixa com 1,90 m equilibravam carga nos dois eixos. Eliminar o mecanismo hidráulico da asa poupou 10 kg. A saída de escape em titânio impresso em 3D permitia paredes extremamente finas e elevada resistência térmica. No interior, Alcantara, alumínio anodizado preto, titânio e fibra de carbono substituíam parte da exuberância tátil por maior aderência e menor massa.
O Pur Sport foi limitado a 60 unidades, com produção prevista a partir do segundo semestre de 2020. A Bugatti divulgou o limite e o início do programa, mas não publicou uma decomposição final, exemplar a exemplar, que permita afirmar quantos foram efetivamente construídos; essa distinção fica preservada.



Chiron Profilée: o Pur Sport que vestiu um fato de gala
O Profilée exige uma classificação cuidadosa. É único, mas não nasceu como simples encomenda decorativa. Em 2020, alguns clientes pediram um Chiron que conservasse a resposta e a aceleração do Pur Sport com uma forma menos radical. A Bugatti iniciou o desenvolvimento no outono desse ano, construiu um veículo de pré-série, completou ensaios e padrões de qualidade e obteve uma homologação individual europeia. Entretanto, todos os 500 lugares de produção do Chiron ficaram atribuídos. O projeto, que poderia ter sido uma série, tornou-se uma única peça.
É por isso que a SPUNIQCARS o integra entre as evoluções fundamentais: a raridade foi consequência do calendário industrial, não a razão técnica da sua existência.
A asa de 1,90 m desapareceu. No seu lugar surgiu uma cauda fixa, arqueada e elegante, inspirada no perfil traseiro do Type 46 de Jean Bugatti — origem do nome Profilée. A peça cumpria duas funções: produzia carga e estabilidade até 380 km/h e criava depressão para extrair ar quente do compartimento do motor através de dois túneis internos na asa de carbono resistente a alta temperatura. À frente, entradas mais largas e grelha em ferradura ampliada aumentavam o ar de refrigeração; um splitter revisto trabalhava com o fundo esculpido para equilibrar carga e caudal.
O W16 de 1.500 PS e a caixa com relação global 15% mais curta permaneciam próximos do Pur Sport. O 0–100 km/h demorava 2,3 s, o 0–200 km/h 5,5 s e a velocidade máxima subia dos 350 do Pur Sport para 380 km/h. As molas eram 10% mais firmes do que as do Chiron Sport, com distribuição mais orientada para a frente, e o eixo traseiro recebia 50% mais camber negativo.
Argent Atlantique, criado exclusivamente para este automóvel, cobria a parte superior; a zona inferior mostrava fibra de carbono tingida Bleu Royal Carbon. As jantes próprias, concebidas, produzidas e testadas para o Profilée, usavam a tonalidade Le Patron. No habitáculo surgiu outra estreia na família: couro entrançado no tablier, painéis de porta e consola, elaborado com mais de 2.500 metros de tiras. Bancos Comfort em Gris Rafale e Deep Blue lembravam que este era o ponto de equilíbrio entre a tensão do Pur Sport e a elegância do Chiron inicial.
Leiloado pela RM Sotheby’s em Paris, em 1 de fevereiro de 2023, o Profilée ficou como uma hipótese histórica tornada automóvel: o ramo que a Bugatti concebeu, desenvolveu e homologou, mas para o qual já não havia espaço na árvore de 500 exemplares.

Chiron Super Sport 300+: quando 300 mph deixaram de ser ficção
O programa, antes da edição
O acontecimento ocorreu primeiro; a série limitada veio depois. Esta ordem é essencial para não transformar marketing em engenharia retroativa.
Em 2 de agosto de 2019, Andy Wallace — vencedor de Le Mans e piloto de testes Bugatti — conduziu em Ehra-Lessien um veículo de pré-produção de um derivado Chiron preparado pela equipa liderada por Stefan Ellrott. O automóvel não era um Chiron normal deslimitado, nem ainda um dos 30 Super Sport 300+ de cliente. Era o instrumento de um programa específico de velocidade.
Wallace aumentou progressivamente a velocidade a partir de 300 km/h, em incrementos de 50 km/h, verificando equilíbrio entre sustentação e carga. Depois de uma volta de condicionamento, saiu da curva norte a 200 km/h, manteve o acelerador a fundo durante cerca de 70 segundos ao longo da reta de 8,8 km e atingiu 490,484 km/h — 304,773 mph — antes de reduzir para 200 km/h nos dois quilómetros disponíveis antes da curva sul. A 136 metros por segundo, a paisagem já não passa: é substituída.
Ehra-Lessien foi escolhida por segurança. A pista de 21 km, a cerca de 50 m acima do nível do mar, tem barreiras e equipas de emergência nos dois extremos. A baixa altitude aumenta a densidade do ar e, portanto, o arrasto; antes da tentativa, o asfalto foi limpo com tapetes especiais para remover pedras e detritos.
Uma caixa GPS selada registou a passagem e a SGS-TÜV Saar emitiu o certificado. A Bugatti descreveu o resultado como novo recorde de velocidade certificado pela TÜV e como a primeira vez que um construtor de série atravessava as 300 mph.
Há, contudo, uma precisão indispensável: a velocidade foi obtida num único sentido. As regras tradicionalmente usadas pelo Guinness para recordes de velocidade de automóveis de produção exigem duas passagens em sentidos opostos, na mesma estrada e dentro de 60 minutos, usando a média. Logo, 490,484 km/h é uma velocidade máxima medida e certificada na tentativa Bugatti, historicamente incontornável, mas não um recorde Guinness convencional de média bidirecional. As duas afirmações podem coexistir sem diminuírem o feito — basta não pedir a uma que finja ser a outra.
O automóvel da tentativa
A segurança recebeu cintos de seis pontos e uma célula adicional. A Dallara apoiou o trabalho aerodinâmico e estrutural; a Michelin reforçou as cintas dos Pilot Sport Cup 2 de alta velocidade, mantendo-os homologados para estrada. A 490 km/h, cada pneu rodava até 4.100 vezes por minuto e suportava solicitações declaradas de 5.300 g. Foram ensaiados em bancada até 511 km/h e radiografados individualmente antes da montagem.
O W16 evoluiu para 1.600 PS. A carroçaria Longtail prolongou a traseira em cerca de 25 cm, mantendo o escoamento laminar ligado à superfície durante mais tempo e reduzindo a zona de separação aerodinâmica em mais de 40%. Air curtains orientavam pressão das tomadas dianteiras para as laterais; saídas nas cavas e atrás das rodas dianteiras aliviavam pressão e criavam ligeiro apoio; a nova organização dos escapes libertava o difusor central, permitindo gerar apoio com menor dependência da asa — e, por isso, menos arrasto no modo de velocidade máxima.
Dos 490,484 km/h aos 30 automóveis de cliente
Em 9 de setembro de 2019, nas celebrações dos 110 anos da Bugatti em Molsheim, surgiu a edição Chiron Super Sport 300+, visualmente baseada no automóvel da tentativa e limitada a 30 unidades. A formulação oficial é reveladora: os automóveis de cliente derivavam do projeto recordista, mas não eram simplesmente o mesmo protótipo com matrícula.
Receberam desenvolvimento adicional durante dois anos. Quatro pré-séries Super Sport 300+ e quatro Pur Sport percorreram mais de 20.000 km em quatro semanas em Nardò, com 37 técnicos e nove gigabytes de dados apenas para calibração da unidade de controlo do motor. Foram trabalhados novos componentes térmicos e de transmissão, gestão térmica do motor e caixa, e software do motor, caixa, cadeia cinemática e turbocompressores.
Nos automóveis entregues, a velocidade máxima ficou eletronicamente limitada a 440 km/h. O acabamento padrão combinava fibra de carbono exposta Jet Black, faixa central Jet Orange, jantes de magnésio Nocturne, emblema Bugatti em prata genuína e esmalte preto, e habitáculo Beluga Black em carbono, couro e Alcantara com apontamentos laranja. Os primeiros oito ficaram prontos em setembro de 2021; o trigésimo e último foi entregue em julho de 2022. Aqui, ao contrário de várias outras séries, produção prevista e realizada coincidem documentalmente: 30 de 30.
O Super Sport 300+ deve, portanto, ser lido em três níveis separados:
- o programa de engenharia de alta velocidade;
- o veículo de pré-produção que atingiu 490,484 km/h, equipado com segurança adicional;
- os 30 automóveis de cliente, desenvolvidos a partir desse conhecimento e limitados a 440 km/h.
Misturar estes níveis produz títulos fáceis. Separá-los produz história automóvel.
Ficha técnica — Super Sport 300+ de cliente
Esta ficha descreve a especificação de produção entregue aos clientes, não o veículo de pré-produção da passagem de 490,484 km/h. Os valores quantificados seguem a ficha técnica oficial Bugatti mais recente; a descrição estrutural acompanha a documentação institucional da marca.
| Parâmetro | Especificação oficial |
|---|---|
| Estrutura e carroçaria | Monocoque e carroçaria em fibra de carbono; configuração Longtail |
| Dimensões (C × L × A) | 4.733 × 2.183 × 1.212 mm; largura incluindo espelhos |
| Distância entre eixos; vias F/T | 2.711 mm; 1.749/1.662 mm |
| Massa DIN; depósito | 1.995 kg*; 100 l |
| Motor | W16, 7.993 cm³, quatro válvulas/cilindro, quatro turbocompressores e sobrealimentação em dois estágios com intercooling água/ar |
| Potência; binário | 1.177 kW/1.600 PS entre 7.050–7.100 rpm; 1.600 Nm entre 2.250–7.000 rpm |
| Transmissão e tração | DSG de dupla embraiagem, 7 relações; tração integral permanente; diferencial longitudinal dianteiro controlado BorgWarner e bloqueio transversal traseiro controlado |
| Suspensão | Duplos triângulos à frente e atrás; programas Lift, EB, Autobahn, Handling e Top Speed |
| Jantes F/T | 10J × 20 ET55; 13,5J × 21 ET71,5 |
| Pneus F/T | Michelin 285/30 R20 ZR (Y) BG2; 355/25 R21 ZR (Y) BG2 |
| Travões | Discos de 420 mm F/400 mm T; pinças de 8 pistões F/6 pistões T |
| Aerodinâmica, Cd | 0,38 EB; 0,39 Autobahn; 0,41 Handling; 0,35 Top Speed; 0,59 airbrake |
| Coeficiente de sustentação, Handling F/T | -0,06/-0,20 |
| Ângulo da asa | 10° Autobahn; 15° Handling; 1° Top Speed; 39° airbrake |
| Velocidade máxima | 440 km/h em Top Speed; 380 km/h nos modos EB/Autobahn/Handling |
| Aceleração | 0–100: 2,4 s; 0–200: 5,8 s; 0–300: 12,1 s; 0–400: 28,6 s |
| Aceleração e travagem | 0–100–0: 4,8 s; 0–200–0: 10,4 s; 0–300–0: 18,9 s; 0–400–0: 39,2 s |
| Distâncias de travagem | 100–0: 33 m; 200–0: 124 m; 300–0: 270 m; 400–0: 520 m |
| Velocidade máxima por relação | 1.ª 100; 2.ª 160; 3.ª 210; 4.ª 280; 5.ª 340; 6.ª 415; 7.ª 440 km/h (limite) |
* A Bugatti declarou uma redução construtiva de 23 kg, mas manteve na ficha 1.995 kg DIN por o Super Sport 300+ não ter sido homologado como variante separada.



Chiron Super Sport: converter o recorde num grand tourer
Apresentado em junho de 2021 e mostrado publicamente no Milano Monza Motor Show, o Chiron Super Sport não foi apenas uma versão menos laranja do 300+. A Bugatti utilizou o conhecimento do programa de recorde para criar um automóvel de 440 km/h que combinasse estabilidade longitudinal, conforto, luxo e previsibilidade em utilização mais ampla.
A carroçaria manteve o conceito Longtail e o prolongamento aproximado de 25 cm. A secção do difusor cresceu, a aresta traseira subiu e a superfície de separação na retaguarda diminuiu 44%. Os escapes passaram para as laterais, dispostos verticalmente, libertando o difusor. No modo Top Speed, a asa podia recolher mais, porque o fundo gerava maior parcela da carga com menos resistência.
À frente, air curtains mantinham o escoamento junto às laterais e ajudavam a alimentação dos radiadores. Nove aberturas sobre cada guarda-lamas, homenagem funcional ao EB110 Super Sport, libertavam pressão das cavas; a Bugatti quantificou entre 20 e 30 kg de apoio adicional à frente a 380 km/h noutro documento técnico do programa. As entradas também aumentavam o caudal de refrigeração dos radiadores em cerca de 8%.
O W16 foi profundamente revisto para 1.177 kW/1.600 PS. Turbocompressores maiores receberam rodas de compressor mais eficientes; bomba de óleo, cabeça do motor, comando de válvulas, caixa e embraiagem foram modificados. O limite subiu 300 rpm, para 7.100 rpm. Segundo a ficha técnica oficial mais recente — critério editorial adotado quando comunicados anteriores divergem — os 1.600 Nm estão disponíveis entre 2.250 e 7.000 rpm. A sétima relação é 3,6% mais longa, a pressão de sobrealimentação atinge 2,8 bar e a interrupção de pressão numa passagem de caixa dura apenas cerca de 0,3 s.
O chassis foi recalibrado para alta velocidade. Molas mais firmes, direção e amortecimento mais ligados à carroçaria e controlo eletrónico capaz de ajustar parâmetros em seis milissegundos procuravam manter o eixo traseiro calmo e a direção previsível em curvas longas muito rápidas. As molas traseiras ficaram 7% mais firmes do que as do Chiron, segundo a documentação de desenvolvimento. O objetivo era quase paradoxal: tornar 440 km/h menos dramáticos para o condutor, embora a física continuasse, naturalmente, sem sentido de humor.
Os Michelin Pilot Sport Cup 2 específicos privilegiavam rigidez, suavidade e resistência a velocidade máxima, em oposição aos Cup 2 R de aderência lateral do Pur Sport. Eram testados a mais de 500 km/h e radiografados. Novas jantes de alumínio poupavam cerca de 4 kg por conjunto; as opcionais de magnésio, oriundas do Pur Sport, reduziam cerca de 16 kg relativamente às do Chiron.
A redução construtiva anunciada foi de 23 kg, embora a ficha técnica conservasse 1.995 kg DIN pela ausência de homologação separada como variante. O Super Sport atinge 0–100 km/h em 2,4 s, 200 em 5,8 s, 300 em 12,1 s e 400 em 28,6 s; a velocidade máxima está limitada a 440 km/h. A produção integrou o total de 500 Chiron, sem limite autónomo oficialmente divulgado.
Pur Sport e Super Sport: duas respostas opostas
O contraste central da família não é entre 1.500 e 1.600 PS. É entre a forma de gastar energia.
O Pur Sport encurta relações, aumenta carga, escolhe pneus de aderência, aceita 350 km/h como teto e procura reduzir massa não suspensa. Quer mudança de direção, leitura do asfalto e aceleração à saída da curva.
O Super Sport alonga a carroçaria e a sétima relação, reduz arrasto, controla pressão nas cavas, seleciona pneus de estabilidade e trabalha direção e suspensão para serenidade acima de 400 km/h. Quer manter o ar ligado à carroçaria e o condutor ligado à intenção.
Um prefere que a estrada dobre; o outro prefere que ela continue. Ambos provam que a arquitetura Chiron não era uma personalidade rígida, mas uma linguagem técnica capaz de falar dialetos opostos.



Tabela comparativa — evolução técnica principal
| Parâmetro | Chiron | Chiron Sport | Chiron Pur Sport | Chiron Profilée | Chiron SS 300+ | Chiron Super Sport |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Apresentação | Genebra, 2016 | Genebra, 06/03/2018 | 03/03/2020 | 21/12/2022 | Molsheim, 09/09/2019 | Junho de 2021; Milano Monza |
| Missão | Equilíbrio entre velocidade, luxo e utilização | Maior precisão e agilidade | Máxima dinâmica lateral | Agilidade Pur Sport com elegância | Celebrar e transferir o programa das 300 mph | Alta velocidade com conforto de grand tourer |
| Comprimento oficial | 4.544 mm | 4.544 mm | 4.647 mm | Não divulgado separadamente | 4.733 mm | 4.733 mm |
| Largura oficial | 2.038 mm | 2.038 mm | 2.162 mm, incl. espelhos | Não divulgada | 2.183 mm, incl. espelhos | 2.183 mm, incl. espelhos |
| Altura | 1.212 mm | 1.212 mm | 1.212 mm | Não divulgada | 1.212 mm | 1.212 mm |
| Distância entre eixos | 2.711 mm | 2.711 mm | 2.711 mm | Não divulgada | 2.711 mm | 2.711 mm |
| Vias F/T | 1.749/1.661 mm | 1.749/1.661 mm | 1.776/1.695 mm | Não divulgadas | 1.749/1.662 mm | 1.749/1.662 mm |
| Massa DIN na ficha | 1.995 kg | 1.977 kg | 1.995 kg* | Não divulgada | 1.995 kg* | 1.995 kg* |
| Redução construtiva anunciada | — | 18 kg | 50 kg | Não divulgada | 23 kg | 23 kg |
| Depósito | 100 l | 100 l | 100 l | Não divulgado separadamente | 100 l | 100 l |
| Motor | W16, 7.993 cm³, 4 turbos, 2 estágios | Igual | Igual; limite +200 rpm | Especificação Pur Sport | W16 profundamente revisto | W16 profundamente revisto |
| Potência | 1.500 PS/1.103 kW | 1.500 PS/1.103 kW | 1.500 PS/1.103 kW | 1.500 PS/1.103 kW | 1.600 PS/1.177 kW | 1.600 PS/1.177 kW |
| Binário | 1.600 Nm, 2.000–6.000 rpm | 1.600 Nm, 2.000–6.000 rpm | 1.600 Nm, 2.000–6.000 rpm | 1.600 Nm | 1.600 Nm, 2.250–7.000 rpm | 1.600 Nm, 2.250–7.000 rpm |
| Transmissão/tração | DSG 7, integral permanente | Igual; diferencial/torque vectoring revistos | 80% revista; relação global -15% | Relação global -15% vs. Sport | DSG 7 revista; 7.ª longa | DSG 7; 7.ª +3,6% |
| Suspensão/chassis | Duplos triângulos; amortecimento adaptativo | Amortecedores +10% em Handling; direção revista | Molas +65% F/+33% T; camber -2,5°; ligações reforçadas | Molas +10% vs. Sport; +50% camber neg. atrás | Afinação e estabilidade de alta velocidade | Molas/direção/amortecimento revistos; controlo em 6 ms |
| Jantes F/T | 10J×20 ET55; 13,5J×21 ET71,5 | Mesmas medidas; desenho Course | Mesmas medidas; magnésio | Le Patron; medidas não divulgadas separadamente | Mesmas medidas; magnésio Nocturne | Mesmas medidas; alumínio ou magnésio opcional |
| Pneus F/T | Michelin 285/30 R20; 355/25 R21 | Mesmas medidas | Cup 2 R, 285/30 R20; 355/25 R21 | Não divulgados separadamente | Cup 2 BG2, mesmas medidas | Cup 2 BG2, mesmas medidas |
| Travões | Discos 420/400 mm; pinças 8/6 pistões | Mesmos diâmetros/pistões | Mesmos diâmetros/pistões; componentes aligeirados | Não divulgados separadamente | Mesmos diâmetros/pistões | Mesmos diâmetros/pistões |
| Aerodinâmica-chave | Asa ativa/função airbrake | Perfil dos limpa-para-brisas otimizado | Asa fixa 1,90 m, splitter e difusor; mais carga | Cauda fixa com extração térmica | Longtail +25 cm; separação -40% | Longtail; superfície de fuga -44%; nove saídas/guarda-lamas |
| Cd por modo | 0,40 EB; 0,39 Autobahn; 0,41 Handling; 0,36 Top Speed; 0,60 airbrake | Igual ao Chiron | 0,38 fixo | Não divulgado | 0,38 EB; 0,39 Autobahn; 0,41 Handling; 0,35 Top Speed; 0,59 airbrake | Igual ao SS 300+ |
| 0–100 km/h | 2,4 s | 2,4 s | 2,3 s | 2,3 s | 2,4 s** | 2,4 s |
| 0–200 km/h | 6,1 s | 6,1 s | 5,5 s | 5,5 s | 5,8 s** | 5,8 s |
| 0–300 km/h | 13,1 s | 13,1 s | 12,4 s | Não divulgado | 12,1 s** | 12,1 s |
| 0–400 km/h | 32,6 s | 32,6 s | — | — | 28,6 s** | 28,6 s |
| Velocidade máxima | 420 km/h | 420 km/h | 350 km/h | 380 km/h | 440 km/h clientes; 490,484 km/h no protótipo de tentativa | 440 km/h |
| Produção | Parte do total de 500 | Sem limite autónomo divulgado | Limitada a 60; total realizado não discriminado | 1 | 30 produzidos e entregues | Sem limite autónomo divulgado; parte dos 500 |
* As fichas do Pur Sport, Super Sport 300+ e Super Sport mantêm a massa DIN do Chiron de base porque não foram homologados separadamente para esse valor; as reduções construtivas são afirmações oficiais da Bugatti. A ficha do Sport publica 1.977 kg, coincidindo com os 18 kg retirados. ** Valores da ficha técnica oficial mais recente do Super Sport 300+, distintos da velocidade máxima obtida pelo veículo de pré-produção da tentativa de 2019.
II — EDIÇÕES ESPECIAIS E SÉRIES LIMITADAS CHIRON
Uma edição especial genuína deve acrescentar significado, não apenas opções caras alinhadas na mesma fatura. Na família Chiron, a Bugatti utilizou séries limitadas para falar de França, da aviação, do negro absoluto associado ao Atlantic e de L’Ébé Bugatti. A mecânica permaneceu, em regra, a da versão-base; o trabalho concentrou-se na narrativa histórica, nos materiais e no artesanato.
Chiron Sport “110 ans Bugatti”: França nos dois sentidos
Revelado em 7 de fevereiro de 2019 e limitado a 20 automóveis, o “110 ans Bugatti” assinalou os 110 anos da fundação da marca e reafirmou Molsheim como centro da sua identidade francesa. A homenagem não se limitou a aplicar o tricolor onde houvesse espaço.
Azul, branco e vermelho surgiam nos espelhos numa orientação deliberadamente invertida do lado direito: tal como nos veículos oficiais franceses, o azul fica voltado para a frente nos dois lados. A carroçaria de carbono usava Steel Blue mate atrás e Steel Blue Carbon exposto à frente, estabelecendo uma separação visual entre monocoque/habitáculo e compartimento do motor. A linha C e a grelha, em alumínio, participavam na composição; jantes Nocturne escondiam pinças French Racing Blue.
O Sky View, com dois painéis fixos de vidro laminado e quatro camadas intermédias, era equipamento de série. No interior, couro Deep Blue, Alcantara, carbono e alumínio recebiam bordados tricolores. Um medalhão de prata maciça com inserções em esmalte, montado sobre carbono na consola, dava à comemoração a materialidade de um objeto de coleção. O W16 conservava 1.500 PS e as prestações do Chiron Sport.

Edition “Chiron Noire”: uma edição, duas interpretações
A nomenclatura oficial precisa de ser mantida: Bugatti Edition “Chiron Noire”, proposta em duas linguagens — Chiron Noire Élégance e Chiron Noire Sportive. A produção anunciada era de 20 veículos no total, não 20 de cada. A especificação podia ser aplicada ao Chiron e, mediante suplemento, ao Chiron Sport.
Apresentada em 29 de novembro de 2019, a edição respondia ao fascínio provocado pela moderna La Voiture Noire revelada meses antes e, por seu intermédio, pelo Type 57 SC Atlantic negro de Jean Bugatti desaparecido no início da Segunda Guerra Mundial.
Na Élégance, a fibra de carbono exposta recebia acabamento brilhante. O Macaron em prata maciça e esmalte preto, a linha C em alumínio polido mate e apontamentos metálicos interrompiam a superfície negra. Na Sportive, carbono, linha C, jantes, splitter, grelha, componentes da tampa do motor e quatro ponteiras de titânio mergulhavam num negro mate mais fechado; interruptores, comandos e puxadores interiores acompanhavam o tratamento.
O W16 continuava a produzir 1.500 PS e 1.600 Nm. A distinção entre Élégance e Sportive era, por isso, de expressão: uma usava o brilho para revelar a trama do carbono; a outra absorvia a luz como se o Atlantic perdido tivesse deixado uma sombra permanente em Molsheim.


Chiron Sport “Les Légendes du Ciel”: pilotos entre dois elementos
Anunciado em 24 de novembro de 2020, limitado a 20 unidades e baseado no Chiron Sport, “Les Légendes du Ciel” recuperou uma relação menos conhecida da história Bugatti: vários pilotos da “década de ouro” da marca tinham sido aviadores.
Albert Divo, Robert Benoist e Bartolomeo “Meo” Costantini voaram ao serviço da Força Aérea Francesa; Roland Garros conduziu um Bugatti Type 18. Ettore admirava a aviação, projetou motores aeronáuticos por volta de 1915 e, a partir de 1937, envolveu-se num avião destinado a recordes de velocidade, interrompido pela guerra.
O Gris Serpent mate reinterpretava a pele dos aviões dos anos 1920. Uma faixa branca brilhante atravessava o automóvel e a asa; o tricolor marcava as saias em carbono exposto. A malha da grelha, cortada a laser e embutida em alumínio, desenhava uma formação aérea repetida nas costuras dos bancos. Na traseira, uma moldura de escape em Inconel resistente a alta temperatura era produzida por impressão 3D.
O habitáculo revestido em couro Gaucho evocava as cabinas dos aviões antigos. Nas portas, uma cena desenhada à mão colocava frente a frente um Nieuport 17 e um Bugatti Type 13 — duas máquinas leves, ágeis e dependentes da coragem de quem as comandava. Alumínio “perlée” na consola e no apoio de braço remetia para o acabamento dos carros de competição históricos. Potência e velocidade máxima permaneciam em 1.500 PS e 420 km/h.

Chiron L’Ébé: a filha que preservou a voz do pai
Em junho de 2022, a Bugatti apresentou três Chiron L’Ébé — um Chiron e dois Chiron Sport — como os últimos exemplares dessas duas especificações destinados à Europa. Esta micro-série homenageou a filha mais velha de Ettore e Barbara Bugatti, nascida em 1903, autora de “The Story of Bugatti” e guardiã de diários, cartas e memórias fundamentais para compreender o fundador. O próprio nome L’Ébé ocultava as iniciais EB, permitindo-lhe conservar simbolicamente o apelido Bugatti após o casamento.
Fibra de carbono exposta com tonalidade azul servia de fundo a linhas douradas Art Déco inspiradas nas formas do Type 57G Tank. Dourado aparecia no EB, na ferradura, na tampa do W16 e discretamente nas jantes. A assinatura L’Ébé escondia-se sob a asa, nas soleiras e nos encostos de cabeça.
No habitáculo, Silk e Lake Blue invertiam posições entre porta do condutor e porta do passageiro. Cada painel mostrava a evolução visual da marca, dos Grand Prix ao EB110, Veyron e Chiron. A homenagem era particularmente adequada: uma mulher que preservou a narrativa Bugatti tornou-se tema de automóveis que, por sua vez, contavam essa narrativa nas próprias portas.

III — BUGATTI SUR MESURE E EXEMPLARES ÚNICOS
Antes de existir o nome Sur Mesure
A Bugatti formalizou o programa Sur Mesure em 9 de dezembro de 2021. Seria incorreto aplicar retroativamente o selo a todos os projetos anteriores. Mas seria igualmente errado ignorar que o método — diálogo prolongado, cores exclusivas, pintura manual, colaboração entre engenharia e artesanato — já estava a ser desenvolvido.
Chiron “Zebra 1 of 1” — 2019
Encomendado por um cliente do Qatar, o Zebra combinou Titanic Blue e Gunpowder Grey num padrão pintado à mão durante mais de três semanas. A inspiração técnica e visual vinha das linhas de reflexão do Veyron L’Or Blanc, de 2011. Na história da personalização Chiron, representa a passagem da escolha de cores para o desenho irrepetível sobre a própria carroçaria.
Chiron Sport “Alice” — 2021
Encomendado através da H.R. Owen por um marido como presente para a mulher, o Alice introduziu a tonalidade Silk Rosé, combinada com Matt Blanc e aplicada também às jantes. Couro e Alcantara Gris Rafale, bancos Comfort, bordados “Alice” nos encostos e inscrições nas soleiras completavam um exemplar único. A importância não está numa alteração de chassis, mas na demonstração de que um Chiron podia assumir uma identidade pessoal inequívoca antes de Sur Mesure se tornar nome institucional.
Chiron habillé par Hermès — 2021
O empresário e colecionador Manny Khoshbin reservou cedo um lugar de produção, mas prolongou conscientemente o processo durante anos. Duas visitas à Hermès em Paris e centenas de mensagens ligaram as equipas de Molsheim e da casa parisiense.
A cor Craie envolvia quase todo o exterior, incluindo para-choques, malhas, frisos e jantes Classique; apenas o motor exposto, as pinças Italian Red e as soleiras em alumínio interrompiam o monocromatismo. A grelha em ferradura recebia o monograma H. Sob a asa, o motivo “Courbettes”, com cavalos empinados, aludia aos 1.500 PS.
No interior, a Hermès produziu a maior parte dos materiais: couro Craie nos bancos, consola, linha interior, tejadilho, painel traseiro e fechos das portas; couro Ecru desenvolvido pela Bugatti e alcatifa Beige completavam a composição. Era também uma reconexão histórica: antes da Primeira Guerra Mundial, Ettore encomendara selas e artigos de arreios a Émile-Maurice Hermès; em 2008, a relação reaparecera no Veyron Fbg par Hermès.



Bugatti Sur Mesure: personalização torna-se programa
“Sur mesure” significa “feito à medida”. A estrutura formal reuniu designers, engenheiros, pintores, estofadores e especialistas de materiais para acompanhar o cliente desde o conceito até à entrega. Não se tratava apenas de abrir um catálogo mais grosso: técnicas novas podiam ter de ser inventadas, validadas contra calor, radiação, desgaste e tolerâncias aerodinâmicas.
Chiron Pur Sport “Grand Prix” — o primeiro projeto oficial
O primeiro automóvel revelado sob o programa foi um Pur Sport inspirado na vitória de Louis Chiron e Achille Varzi no Grande Prémio de França de 1931, em Montlhéry, num Type 51 com o número 32.
Duas cores exteriores inéditas reinterpretavam os Bugatti de competição das décadas de 1920 e 1930. O “32” foi pintado à mão; um padrão EB em gradação exigiu novas técnicas e prolongou-se nos painéis das portas através de bordado multicamada. “32” e “Grand Prix” reapareciam na consola de alumínio anodizado preto com inscrição prateada, nas soleiras, encostos e luzes de entrada. O primeiro Sur Mesure nasceu, portanto, olhando diretamente para o homem cujo nome o Chiron transportava.
“Vagues de Lumière” — duas carroçarias, dois reflexos
Em abril de 2022, a Bugatti revelou dois projetos. Um Super Sport California Blue recebeu linhas Arancia Mira, jantes de magnésio laranja e o número 38 na grelha. Um Pur Sport em Blue Carbon exposto recebeu linhas Nocturne, tricolores nos terminais da asa e o número 9 em French Racing Blue.
O processo começava com formas bidimensionais adaptadas às superfícies tridimensionais com precisão milimétrica. As linhas eram pintadas à mão em camadas, corrigidas, novamente verificadas e seladas com verniz. Cada esquema demorava aproximadamente cinco semanas. A mesma ideia de luz comportava-se de forma diferente sobre um Pur Sport e um Super Sport porque as superfícies — e, portanto, os reflexos — não eram as mesmas.

Chiron Super Sport “Golden Era”: desenhar a história sobre o presente
Revelado em agosto de 2023, o Golden Era resultou de dois anos de trabalho e foi descrito pela Bugatti como talvez o projeto de personalização mais exigente que alguma vez realizara.
O cliente, colecionador e admirador do W16, queria celebrar simultaneamente o motor e a história que o tornara possível. A equipa propôs 45 desenhos diretamente sobre a carroçaria: 26 do lado do passageiro, dedicados ao primeiro período da marca — Type 41 Royale e Type 57 SC Atlantic incluídos — e 19 do lado do condutor, seguindo o renascimento desde 1987, do EB110 ao Veyron e Chiron. Uma representação dos 3.712 componentes do W16 integrava a narrativa.
Foi criada a cor Doré, em gradação para uma versão metálica especial de Nocturne Black. Para preservar a autenticidade do traço, os designers recusaram uma imitação digital: desenvolveram um processo que permitia usar lápis reais sobre a pintura. Só os desenhos exteriores consumiram mais de 400 horas.
Dentro, três ícones modernos — EB110, Veyron e Chiron — enfrentavam três históricos — Type 35, Atlantic e Royale — pintados à mão sobre couro com pincel fino e tinta específica. Bordados “Golden Era” e inscrições manuscritas “One-of-One” completavam o automóvel entregue em Monterey.
O Golden Era não é importante por provar que um cliente podia pagar 400 horas de desenho. É importante porque converteu a superfície aerodinâmica de um Super Sport num arquivo cronológico feito à mão, sem permitir que o arquivo comprometesse o automóvel de 440 km/h por baixo dele.

Chiron Super Sport “57 One of One”: a memória de uma cor
O projeto começou vinte anos antes da entrega. A cliente vira um dos três Type 57 SC Atlantic sobreviventes no Mullin Automotive Museum, em Oxnard, e guardara a recordação do seu azul prateado. Aos 70 anos, o marido ofereceu-lhe a possibilidade de configurar o primeiro Bugatti da sua vida.
Durante um processo superior a um ano, Jascha Straub, responsável pelo Sur Mesure, viajou ao Guggenheim Bilbao, onde o Atlantic estava exposto, levando uma amostra para observar a pintura original sob diferentes luzes. A intenção não era criar “um azul parecido”, mas reproduzir a emoção cromática que a cliente conservara durante duas décadas.
A grelha do Super Sport foi redesenhada com barras verticais polidas e espinha central mais espessa, mantendo os requisitos de arrefecimento e aerodinâmica de um automóvel de 440 km/h. Jantes de cinco raios combinavam cromado e azul; sob a asa, uma silhueta desenhada à mão do Atlantic acompanhava “57” e “One of One”. Couro Gaucho, o Atlantic cosido à mão em Lightning Blue nas portas, o Elefante Dançante de Rembrandt Bugatti nos encostos e as assinaturas de Jean e Rembrandt nas soleiras faziam da homenagem algo mais amplo do que um exercício de estilo.

“L’aura” e “Coup de Foudre”: personalizar depois da entrega
O L’aura foi concebido para uma cliente com Rosso Efesto e linhas Arancia Mira no padrão Vagues de Lumière. Ao acompanhar a criação, o marido decidiu transformar o seu Super Sport já entregue. O nome Coup de Foudre significa simultaneamente “relâmpago” e “amor à primeira vista”; a dupla leitura descrevia as linhas French Racing Blue sobre carbono visível com 10% de tonalidade preta e a origem emocional do pedido.
O automóvel regressou do Tennessee a Molsheim para sete meses de trabalho. Capot, tejadilho, tampa do motor e asa traseira em carbono foram substituídos; o interior foi totalmente retirado; um novo Sky View foi colado à monocoque com as tolerâncias estruturais exigidas. As fibras tiveram de se alinhar entre painéis com precisão milimétrica. Só a adaptação dos recortes bidimensionais das linhas azuis exigiu quatro semanas de trabalho exclusivo de uma pessoa. Painéis de porta e jantes bicolores completaram uma reconstrução de personalidade que provou que, na Bugatti, “entregue” não significava necessariamente “terminado”.

Chiron Super Sport “Hommage Type 50S”: Le Mans antes das vitórias
O Hommage Type 50S, revelado em fevereiro de 2024, não recorda uma vitória, mas a aprendizagem que a precedeu. Em 1931, a Bugatti estreou uma equipa oficial nas 24 Horas de Le Mans com três Type 50S. O cinco litros de oito cilindros em linha, sobrealimentado e com dupla árvore de cames à cabeça — uma estreia para a marca — produzia cerca de 250 PS. Os carros foram pintados de preto, em provocação ao governo francês que recusara financiamento.
Um pneu falhou a alta velocidade e provocou um acidente fatal; a Bugatti retirou os dois restantes. O chassis 50177, número 5, tornou-se a referência da encomenda moderna.
O Super Sport preto recebeu “5” nas portas, inscrição “Le Mans 1931”, traçado histórico do Circuit de la Sarthe sob a asa e uma grelha de padrão quadrado reinterpretada sem comprometer arrefecimento. O acabamento “perlée” — círculos sobrepostos obtidos por torneamento decorativo — apareceu nas coberturas do motor, consola e proteções laterais. No interior, cenas do Type 50S foram aplicadas manualmente nas portas e “Le Mans 1931” cosido nos encostos.
É uma homenagem madura porque aceita a parte dolorosa da genealogia. A vitória de 1937 com o Type 57G Tank não surgiu no vazio; seis anos antes, a marca aprendera em Le Mans que potência, velocidade e pneus formam uma equação que não perdoa aproximações.

Chiron Super Sport “55 1 of 1”: o primeiro Super Sport regressa
Apresentado em maio de 2024 para um cliente ligado ao parceiro Bugatti no Dubai, o “55 1 of 1” homenageou o Type 55 Super Sport. O automóvel de Jean Bugatti levou às estradas um oito cilindros em linha de 2,3 litros derivado do Type 51, combinando tecnologia de competição, carroçaria de dois lugares e cerca de 180 km/h. Foram construídos apenas 38.
O preto e amarelo — combinação apreciada por Ettore — e a linha central escura do Type 55 foram reinterpretados no Chiron. Um padrão “55” pintado à mão desaparecia sobre faróis e guarda-lamas, escurecendo visualmente essas zonas à distância e aproximando a frente da forma estreita e fuselada do histórico. Jantes pretas de dez raios com EB amarelo, “55 1 of 1” sob a asa, couro preto, inscrições bordadas e assinatura de Jean Bugatti completavam a peça.
O elo é mais profundo do que a cor. O Type 55 inaugurou na Bugatti a ideia Super Sport: tecnologia de competição civilizada para viajar depressa. O Chiron Super Sport levou a mesma fórmula de 180 para 440 km/h — um crescimento que talvez Ettore considerasse razoável, desde que ninguém lhe mostrasse a conta dos pneus.

Chiron Super Sport “L’Ultime”: o n.º 500 fecha o círculo
Em 30 de maio de 2024, a Bugatti anunciou a conclusão do Chiron n.º 500. Era um Super Sport e chamava-se L’Ultime.
O desenho regressou ao primeiro Chiron de Genebra, apresentado em 2016 em Atlantic Blue e French Racing Blue, separados pela linha C de alumínio polido. No último automóvel, as duas cores fundiam-se numa gradação e passavam também às jantes. Um Macaron azul específico ocupava a grelha, cuja malha recebeu faixas centradas.
Sobre a carroçaria, inscrições manuscritas enumeravam os lugares e acontecimentos que construíram a narrativa Chiron: estreia em Genebra, Chantilly, ensaios em Paul Ricard, Ehra-Lessien e as 300 mph, Molsheim, Château Saint Jean e Cape Canaveral, onde clientes puderam experimentar velocidade máxima. O efeito “bullet speed” fazia as palavras desvanecerem como uma imagem vista em movimento.
O número 500 aparecia na carroçaria, centros das rodas e asa, e era gravado na cobertura do W16. Dentro, couro Deep Blue, Blue Carbon Matt e French Racing Blue acompanhavam painéis de porta em couro Deep Blue cortado, entrançado e cosido à mão.
O L’Ultime fechou a produção Chiron, mas não foi o último Bugatti com W16: Bolide e W16 Mistral ainda pertenciam ao epílogo industrial desse motor. Esta precisão é importante. O L’Ultime encerra a família de 500 coupés Chiron e transforma o último lugar de produção numa autobiografia móvel; a despedida total do W16 teria capítulos próprios.
Entre o primeiro e o último automóvel, a forma manteve-se imediatamente reconhecível. O que mudou foi o conhecimento acumulado: chassis mais precisos, relações mais curtas, carroçaria Longtail, motor de 1.600 PS, pneus ensaiados acima de 500 km/h e uma personalização capaz de desenhar a própria cronologia na pintura. O n.º 500 não precisou de inventar outra personalidade. Reuniu todas.



IV — OS PARENTES QUE NÃO SÃO “CHIRON ESPECIAIS”
Em documentação institucional, a Bugatti descreveu a família Chiron como quatro derivados de caráter distinto — Chiron, Sport, Pur Sport e Super Sport — e separou Divo, Centodieci e La Voiture Noire como celebrações do coachbuilding moderno. O parentesco técnico é real; a identidade de modelo também.
Divo: a carroçaria que abriu uma nova liberdade
Revelado em 24 de agosto de 2018 no The Quail, em Monterey, o Divo reutilizava o W16 de 1.500 PS, mas recebia carroçaria, aerodinâmica e linguagem visual próprias. Foi limitado a 40 unidades, imediatamente vendidas, e homologado como automóvel de estrada.
Mais 90 kg de carga aerodinâmica, menos 35 kg de massa, 1,6 g de aceleração lateral, direção e suspensão específicas e 380 km/h de velocidade máxima tornavam-no oito segundos mais rápido do que o Chiron no circuito de handling de Nardò, segundo a Bugatti. O nome homenageava Albert Divo, vencedor por duas vezes da Targa Florio ao volante de Bugatti.
O Divo é parente do Chiron como um carroçável de autor pode ser parente do chassis que lhe fornece órgãos. Reduzi-lo a “Chiron especial” apagaria precisamente o objetivo do projeto: recuperar a liberdade do coachbuilding e criar um modelo de comportamento e forma próprios.
Centodieci: o EB110 reinterpretado em dez exemplares
Apresentado em 2019 e limitado a dez unidades, o Centodieci homenageou o EB110. Partilhava com o Chiron Super Sport o W16 de 1.600 PS, mas recebeu carroçaria, refrigeração, aerodinâmica, afinação dinâmica e assinatura sonora próprias; o motor ficava sob uma cobertura envidraçada ao estilo EB110.
A Bugatti classificou-o como “coachbuilt few-off”. Cada automóvel passava por um ensaio de entrega de pelo menos 350 km; o programa de desenvolvimento acumulou dezenas de milhares de quilómetros. O décimo e último ficou concluído em 2022. É um modelo autónomo em dez capítulos, não uma edição cosmética do Chiron.
La Voiture Noire: o one-off que não cabe numa versão
Apresentada em Genebra em 5 de março de 2019 e vendida por 11 milhões de euros antes de impostos, La Voiture Noire foi uma criação única inspirada no Atlantic negro desaparecido de Jean Bugatti. Utilizava o W16 de 1.500 PS e conhecimento técnico contemporâneo da marca, mas toda a pele em carbono, proporções, superfícies, vidros e traseira de seis saídas foram concebidos como projeto autónomo.
A Bugatti submeteu-a a um desenvolvimento e homologação próprios, incluindo veículo de testes durante cerca de dois anos. A definição oficial — one-off de coachbuilding — é suficiente. Chamar-lhe “Chiron especial” seria tão redutor como chamar a uma obra de arquitetura “uma parede especialmente decorada” porque partilha betão com o edifício vizinho.



O que a família Chiron ensinou
O Chiron original já era uma solução para problemas contraditórios: potência e docilidade, velocidade e estabilidade, carbono e couro, refrigeração brutal e elegância formal. As derivações não corrigiram uma falha; exploraram margens de uma arquitetura deliberadamente superdimensionada.
O Sport provou que calibração, diferencial e pequenas reduções de massa podiam tornar o automóvel mais preciso sem o descaracterizar. O Pur Sport mostrou que a expressão mais intensa de 1.500 PS não tinha de ser a velocidade máxima: podia ser a rapidez com que o motor regressava à zona útil, o modo como uma roda mais leve seguia o piso ou a confiança com que o eixo dianteiro aceitava carga.
O programa 300+ tratou o ar como adversário estrutural e o pneu como componente aeroespacial. O Super Sport retirou-lhe o dramatismo de demonstração e converteu o conhecimento numa máquina de viagem a alta velocidade. O Profilée demonstrou que mesmo a engenharia mais agressiva podia ser reformulada com contenção visual.
As edições históricas fizeram outra coisa: transformaram a superfície e o habitáculo em meios de memória. França, aviadores, Atlantic, L’Ébé, Le Mans, Type 55 e toda a cronologia Bugatti apareceram em alumínio, esmalte, couro, carbono, bordado, tinta e até grafite de lápis.
Finalmente, o Sur Mesure alterou a unidade de medida. Já não bastava contar quilowatts, quilogramas ou quilómetros por hora; passaram a contar-se semanas de pintura, meses de diálogo, milhares de metros de couro, centenas de horas de desenho e viagens a museus para confirmar uma cor.
Da precisão à agilidade; da agilidade à velocidade extrema; da velocidade à exclusividade; da exclusividade à personalização absoluta; e daí à despedida. O Chiron não se multiplicou porque a Bugatti não soubesse o que ele era. Multiplicou-se porque a marca percebeu que aquela arquitetura podia ser muitas coisas sem deixar de ser reconhecível.
E talvez seja essa a sua conquista mais rara. Atravessar 300 mph exige potência, aerodinâmica, pneus, pista e coragem. Atravessar oito anos de evolução sem perder identidade exige algo ainda menos mensurável: saber exatamente o que pode mudar — e o que nunca deve mudar.
Tabela cronológica e genealógica final
| Modelo/edição | Ano | Base | Potência | Característica distintiva | Produção documental | Categoria editorial |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Chiron Sport | 2018 | Chiron | 1.500 PS | Dynamic Handling, torque vectoring, -18 kg | Sem limite autónomo divulgado | Derivação |
| Chiron Sport “110 ans Bugatti” | 2019 | Chiron Sport | 1.500 PS | 110 anos, França e tricolor | 20 previstas; conclusão não discriminada | Edição especial |
| Edition “Chiron Noire” Élégance/Sportive | 2019 | Chiron ou Sport | 1.500 PS | Duas leituras do negro/Atlantic | 20 no total previstas | Edição especial |
| Chiron “Zebra 1 of 1” | 2019 | Chiron | 1.500 PS | Vagues de lumière pintadas à mão | 1 | Personalização equivalente/one-off |
| Chiron Super Sport 300+ | 2019 | Derivado Longtail | 1.600 PS | Série celebrativa das 300 mph | 30 produzidos e entregues | Derivação/série técnica limitada |
| Chiron Pur Sport | 2020 | Chiron/Sport | 1.500 PS | Relações -15%, mais carga, 350 km/h | Limite 60; total final não discriminado | Derivação |
| Chiron Sport “Les Légendes du Ciel” | 2020 | Chiron Sport | 1.500 PS | Pilotos Bugatti e aviação | 20 previstas | Edição especial |
| Chiron Sport “Alice” | 2021 | Chiron Sport | 1.500 PS | Silk Rosé, encomenda pessoal | 1 | Personalização equivalente/one-off |
| Chiron habillé par Hermès | 2021 | Chiron | 1.500 PS | Hermès, Craie, Courbettes | 1 | Projeto equivalente/one-off |
| Chiron Pur Sport “Grand Prix” | 2021 | Pur Sport | 1.500 PS | 1931, Louis Chiron/Varzi, n.º 32 | 1 | Sur Mesure/one-off |
| Chiron Super Sport | 2021 | Ramo Longtail | 1.600 PS | Grand tourer de 440 km/h | Sem limite autónomo; parte dos 500 | Derivação |
| Dois “Vagues de Lumière” | 2022 | Super Sport/Pur Sport | 1.600/1.500 PS | Reflexos pintados à mão | 2 | Sur Mesure/one-offs |
| Chiron L’Ébé | 2022 | 1 Chiron + 2 Sport | 1.500 PS | L’Ébé Bugatti e Art Déco | 3 | Edição especial |
| Chiron Profilée | 2022 | Ramo Pur Sport | 1.500 PS | Pur Sport elegante, cauda termodinâmica | 1 | Derivação única |
| Chiron Super Sport “Golden Era” | 2023 | Super Sport | 1.600 PS | 45 desenhos, >400 h no exterior | 1 | Sur Mesure/one-off |
| Chiron Super Sport “57 One of One” | 2023 | Super Sport | 1.600 PS | Homenagem ao Atlantic e cor autenticada | 1 | Sur Mesure/one-off |
| Chiron Super Sport “L’aura” | 2023 | Super Sport | 1.600 PS | Vagues Rosso Efesto/Arancia Mira | 1 | Sur Mesure/one-off |
| Chiron Super Sport “Coup de Foudre” | 2023 | Super Sport entregue | 1.600 PS | Transformação pós-entrega de sete meses | 1 | Aftersales/Sur Mesure equivalente |
| Chiron SS “Hommage Type 50S” | 2024 | Super Sport | 1.600 PS | Le Mans 1931, chassis 50177, perlée | 1 | Sur Mesure/one-off |
| Chiron SS “55 1 of 1” | 2024 | Super Sport | 1.600 PS | Homenagem ao Type 55 | 1 | Sur Mesure/one-off |
| Chiron SS “L’Ultime” | 2024 | Super Sport | 1.600 PS | Chiron n.º 500; autobiografia da família | 1 | Sur Mesure/one-off final |
Nota de leitura: Divo (40), Centodieci (10) e La Voiture Noire (1) não integram esta tabela de variantes Chiron por serem modelos autónomos de coachbuilding moderno. O Super Sport 300+ aparece como derivação/série técnica limitada porque combina alterações fundamentais de engenharia com uma produção fechada de 30 exemplares.
Vídeo recomendado
O filme oficial acompanha de forma particularmente coerente este artigo: recupera o percurso do Chiron desde a apresentação de 2016 e culmina no L’Ultime, o exemplar n.º 500 que encerrou a produção da família.
Fontes primárias e documentação técnica
- https://spuniqcars.com/2021/02/22/bugatti-chiron-a-monstruosidade-ganha-beleza-e-um-novo-coracao-em-forma-de-w16/SPUNIQCARS, “Bugatti Chiron – a monstruosidade ganha beleza e um novo coração em forma de W16”, 22/02/2021: artigo SPUNIQCARS de 2021
- Bugatti Newsroom, fichas técnicas oficiais Chiron: https://newsroom.bugatti.com/en/about/technical-specifications
- Chiron Sport, Genebra 2018: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/88th-geneva-international-motor-show-2018
- Chiron Pur Sport: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/bugatti-chiron-pur-sport-a-pure-driving-machine
- Pur Sport e Super Sport 300+ em Nardò: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/chiron-super-sport-300-and-chiron-pur-sport-bugattis-broad-spectrum-of-performance
- Passagem das 300 mph: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/bugatti-breaks-the-300-mph-barrier
- Super Sport 300+ de produção: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/bugatti-chiron-super-sport-300-plus
- Primeiros oito Super Sport 300+: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/first-bugatti-chiron-super-sport-300-ready-for-launch
- Último dos 30 Super Sport 300+: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/final-world-record-breaking-bugatti-chiron-super-sport-300-delivered
- Chiron Super Sport: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/the-bugatti-chiron-super-sport-the-quintessence-of-luxury-and-speed
- Chiron Profilée: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/the-bugatti-chiron-profilee-an-automotive-solitaire
- Chiron Sport “110 ans Bugatti”: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/bugatti-chiron-sport-110-ans-bugatti-a-tribute-to-france
- Edition “Chiron Noire”: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/bugatti-edition-chiron-noire-exclusive-special-model
- “Les Légendes du Ciel”: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/bugatti-chiron-sport-les-legendes-du-ciel
- Chiron L’Ébé: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/bugatti-chiron-lebe-bugatti-honors-ettores-daughter-with-a-special-edition
- Lançamento Bugatti Sur Mesure/Grand Prix/Zebra: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/bugatti-sur-mesure-official-customization-program
- Chiron Sport Alice: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/bugatti-creates-extraordinary-chiron-sport-masterpiece-gift-2
- Chiron habillé par Hermès: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/chiron-habille-par-hermes-the-pinnacle-of-luxury-created-in-a-cooperation-between-bugatti-and-hermes
- Vagues de Lumière: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/inspired-by-light-bugatti-reveals-two-bespoke-sur-mesure-creations
- Golden Era: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/bugatti-chiron-super-sport-golden-era-the-pinnacle-of-hand-crafted-luxury
- 57 One of One: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/the-bugatti-chiron-super-sport-57-one-of-one-homage-to-an-icon
- L’aura/Coup de Foudre: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/two-matching-bugatti-creations-are-a-love-story-of-creativity-and-passion
- Hommage Type 50S: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/celebrating-the-pioneering-bugatti-type-50s-and-its-incomparable-racing-heritage-1
- 55 1 of 1: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/bugatti-sur-mesure-captures-the-spirit-of-jean-bugattis-type-55
- L’Ultime: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/celebrating-the-end-of-the-incomparable-chiron-era
- Divo: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/world-premiere-for-the-divo
- Centodieci: https://newsroom.bugatti.com/en/press-releases/driving-for-perfection-bugatti-centodieci
- La Voiture Noire: https://newsroom.bugatti.com/press-releases/bugatti-la-voiture-noire-a-one-off-car-for-the-anniversary
Fonte secundária usada apenas para a distinção regulamentar do recorde: BBC Top Gear, “Why Bugatti only broke 300mph in one direction”, 03/09/2019: https://www.topgear.com/car-news/supercars/why-bugatti-only-broke-300mph-one-direction
Créditos editoriais
Editor-Chefe da SPUNIQCARS: António Ricardo
Conceção editorial e direção do projeto: António Ricardo
Investigação documental, estruturação, cruzamento técnico, redação e revisão: António Ricardo × Francisco Quântico
Francisco Quântico é a identidade editorial utilizada pelo assistente de inteligência artificial na parceria SPUNIQCARS × Francisco Quântico. A sua participação neste trabalho incidiu na pesquisa de fontes primárias, organização genealógica, verificação de nomenclaturas e produção, comparação técnica, redação e preparação editorial. Esta colaboração não substitui a responsabilidade, decisão e função de António Ricardo como Editor-Chefe da SPUNIQCARS.
