Audi TT — o concept que se recusou a envelhecer

The Audi TT Coupé show car, 1995.

Do Tourist Trophy e da herança NSU ao último TTS: 25 anos de uma escultura que aprendeu a evoluir sem esquecer a forma que lhe deu vida.

Raízes — duas letras muito anteriores ao Audi TT

A designação TT liga a história do modelo ao Tourist Trophy e à herança da NSU. Antes de o pequeno coupé da Audi existir, as letras já tinham sido utilizadas pela NSU em modelos como TT e TTS, numa genealogia ligada à competição e à cultura do desporto motorizado. Estava dado o mote para uma nova saga: o Audi TT de 1998 não inventou as letras; reinterpretou uma herança.

NSU TT e TTS em desenho de arquivo
NSU TT e TTS em desenho de arquivo. Crédito: AUDI AG, imagem A235714. Fonte oficial

1995 — o concept

O TT Coupé concept foi apresentado em Frankfurt em 1995. A equipa de design liderada por Peter Schreyer, com Freeman Thomas como figura central do desenho, procurou uma linguagem geométrica elementar: círculos, arcos, superfícies tensas e uma silhueta imediatamente reconhecível. O Roadster concept apresentado depois aprofundou a mesma linguagem. O projeto tornou-se notável porque a passagem para produção preservou uma proporção invulgarmente grande da pureza visual do estudo.

Audi TT Coupé show car, 1995
Audi TT Coupé show car, 1995. Crédito: AUDI AG, imagem A231821. Fonte oficial
Esboço de design do Audi TT Coupé
Esboço de design do Audi TT Coupé. Crédito: AUDI AG, imagem A231805. Fonte oficial
Esboço de design do Audi TT Coupé, vista traseira
Esboço de design do Audi TT Coupé, vista traseira. Crédito: AUDI AG, imagem A231807. Fonte oficial

1998 — TT 8N: quando a escultura chega à estrada

A passagem do concept para o automóvel de série é um dos capítulos essenciais da história do TT. A Audi preservou a silhueta arqueada, as superfícies limpas, as cavas das rodas fortemente desenhadas e a lógica geométrica que fazia do concept de 1995 um objeto quase escultórico. A versão de produção não era uma cópia literal — normas de segurança, industrialização, ergonomia, iluminação e tolerâncias de fabrico obrigavam a alterações — mas conservou uma proximidade visual rara entre estudo e automóvel de estrada.

O habitáculo prolongou a mesma disciplina. Saídas de ventilação circulares, comandos metálicos, instrumentos claros e a tampa do depósito exterior transformaram componentes funcionais em elementos de identidade. O TT não procurava parecer complexo. Procurava fazer com que cada elemento tivesse uma forma reconhecível e uma razão visual para existir. Essa coerência é uma das razões pelas quais o 8N permanece imediatamente identificável décadas depois.

O TT assentava numa arquitetura de motor dianteiro transversal partilhada, em termos de base industrial, com outros produtos do Grupo Volkswagen, mas a afinação, carroçaria, posicionamento e identidade eram próprios. Esta disposição condicionava também a solução de tração integral. O quattro do TT não correspondia ao sistema clássico dos Audi de motor longitudinal com diferencial central; utilizava uma embraiagem multidisco eletro-hidráulica para ligar e modular a participação do eixo traseiro.

Esta distinção é tecnicamente importante. “quattro” é a designação de uma família de soluções Audi de tração integral, não a descrição de um único mecanismo imutável. No TT, a embalagem transversal exigia outra resposta de engenharia. O resultado permitia preservar a compacidade da plataforma e acrescentar capacidade de tração sem converter o automóvel numa arquitetura longitudinal que teria alterado profundamente proporções, custo e conceção.

A primeira geração estabeleceu a fórmula: motor dianteiro transversal, carroçaria compacta 2+2 no Coupé, forte identidade formal e uma gama que começou nos quatro-cilindros 1.8 turbo. As versões de referência incluíram 180 cv e 225 cv, esta última associada ao quattro. O interior transportou a geometria exterior para as saídas de ventilação, instrumentos, comandos e tampa circular do depósito. O Roadster alargou a família sem diluir a ideia original.

Audi TT Coupé de primeira geração, vista frontal
Audi TT Coupé de primeira geração, vista frontal. Crédito: AUDI AG, imagem A231810. Fonte oficial
Audi TT Coupé de primeira geração, vista traseira
Audi TT Coupé de primeira geração, vista traseira. Crédito: AUDI AG, imagem A231811. Fonte oficial
Audi TT Coupé de primeira geração, perfil
Audi TT Coupé de primeira geração, perfil. Crédito: AUDI AG, imagem A231812. Fonte oficial
Tampa circular do depósito do Audi TT RS
Tampa circular do depósito do Audi TT RS. Crédito: AUDI AG, imagem A168945. Fonte oficial

Estabilidade, aerodinâmica e a correção do 8N

A primeira fase comercial do TT ficou marcada por acidentes graves a alta velocidade. O assunto deve permanecer no artigo porque faz parte da história técnica do modelo e porque a resposta da Audi alterou automóveis já vendidos e a produção subsequente. O tratamento editorial, porém, deve separar factos técnicos de dramatização.

A Audi introduziu alterações que incluíram o spoiler traseiro e medidas de chassis/controlo de estabilidade destinadas a aumentar a margem de estabilidade em determinadas condições de velocidade e transição de carga. O efeito visual foi significativo precisamente porque a traseira original tinha sido desenhada com extraordinária pureza. A solução posterior tornou-se, por isso, um caso raro em que uma pequena peça aerodinâmica passou a fazer parte da leitura histórica de toda uma geração.

Não serão usadas fotografias de acidentes. A documentação visual correta consiste em mostrar a traseira inicial e a configuração posterior, explicando por que razão a forma mudou.

Audi TT Coupé de primeira geração em vista elevada traseira
Audi TT Coupé de primeira geração em vista elevada traseira. Crédito: AUDI AG, imagem A231803. Fonte oficial
Audi TT Coupé de primeira geração em vista traseira
Audi TT Coupé de primeira geração em vista traseira. Crédito: AUDI AG, imagem A231806. Fonte oficial

3.2 VR6, DSG e quattro Sport

A chegada do 3.2 quattro deu ao TT uma personalidade mecânica diferente. O VR6 de 3.189 cm³ e 250 cv utilizava um ângulo muito estreito entre bancadas, permitindo uma embalagem significativamente mais compacta do que a de um V6 convencional. Num automóvel de motor transversal, essa compacidade é decisiva.

Esta versão tornou-se também relevante na história das transmissões do Grupo Volkswagen pela associação à caixa de dupla embraiagem. Em vez de depender de um único conjunto de embraiagem para todas as relações, a arquitetura de dupla embraiagem prepara a relação seguinte e permite mudanças extremamente rápidas. No início dos anos 2000, aquilo que hoje parece habitual ainda representava uma transformação importante na forma como um automóvel de produção podia combinar rapidez de mudança e utilização quotidiana.

O quattro Sport levou o quatro-cilindros 1.8 turbo aos 240 cv e adotou uma abordagem mais concentrada na performance. Não deve ser apresentado como simples degrau abaixo do VR6: a sua filosofia era diferente. Menor cilindrada, sobrealimentação e uma preparação específica davam-lhe caráter próprio. A produção/entrega documentada de 1.168 exemplares reforça a sua importância como capítulo final e relativamente raro da primeira geração.

Audi TT de primeira geração em Papaya Orange, fotografado em 2003
Audi TT de primeira geração em Papaya Orange, fotografado em 2003. Crédito: AUDI AG, imagem A231802. Fonte oficial

2006 — TT 8J: evolução sem apagar a forma

Na segunda geração, a evolução deixou de ser apenas estética ou mecânica. A carroçaria Audi Space Frame multimaterial combinava alumínio e aço, colocando cada material onde as suas propriedades podiam contribuir para rigidez, segurança, massa e distribuição de peso. A formulação “TT de alumínio” seria, portanto, tecnicamente pobre: a inteligência estava precisamente na combinação.

A construção híbrida do TT Coupé 8J pode agora ser quantificada com segurança: a carroçaria em bruto pesa 206 kg, dos quais 140 kg correspondem a alumínio e 66 kg a aço. A combinação coloca alumínio sobretudo na secção dianteira e aço em zonas traseiras e em componentes como portas e tampa da bagageira, ajudando simultaneamente a reduzir massa e a equilibrar as cargas sobre os eixos. Estes valores foram confirmados em documentação institucional da Audi Hungaria.

Audi TT Coupé de segunda geração em movimento
Audi TT Coupé de segunda geração em movimento. Crédito: AUDI AG, imagem A231814. Fonte oficial
Audi TT Coupé de segunda geração, vista traseira
Audi TT Coupé de segunda geração, vista traseira. Crédito: AUDI AG, imagem A231815. Fonte oficial

8J — chassis, TDI e TTS

O Audi magnetic ride introduziu no TT uma tecnologia em que o fluido do amortecedor contém partículas magneticamente sensíveis. A aplicação de um campo magnético altera rapidamente o comportamento reológico do fluido e, consequentemente, a força de amortecimento. Em termos práticos, o sistema permite variar o controlo dos movimentos da carroçaria sem depender apenas de uma válvula mecânica convencional com uma afinação fixa.

Isto antecipava uma tendência que se tornaria dominante no 8S: o comportamento dinâmico do automóvel passaria a resultar cada vez mais da integração entre componentes físicos, sensores, controladores e software.

A existência de um TT 2.0 TDI quattro é historicamente reveladora. Em 2008, a indústria europeia encarava o Diesel como tecnologia suficientemente abrangente para entrar até num coupé de forte componente emocional. O TTS, no extremo oposto da gama, elevava o 2.0 TFSI para 272 cv e aproximava o TT de uma identidade de performance mais explícita.

A coexistência destas propostas mostra que a Audi não tratava o TT como um único tipo de automóvel. Era uma forma e uma arquitetura capazes de receber interpretações muito diferentes.

O 8J trouxe spoiler traseiro ativo e Audi magnetic ride, utilizando fluido magnetorreológico para variar rapidamente a força de amortecimento. A gama mostrou a amplitude do conceito TT: 2.0 TFSI, o invulgar 2.0 TDI quattro de 170 cv e o TTS de 272 cv. O Diesel é historicamente relevante por mostrar até que ponto a indústria europeia daquela época acreditava na expansão do TDI para automóveis de imagem desportiva.

2009 — TT RS 8J: cinco cilindros regressam

Com o TT RS, o cinco-cilindros voltou ao centro da narrativa Audi. O 2.5 TFSI de 2.480 cm³ produzia inicialmente 340 cv e 450 Nm; o RS plus chegou a 360 cv e 465 Nm. Mais importante do que a escalada numérica era a recuperação de uma arquitetura profundamente associada à memória desportiva da marca.

A ordem de ignição 1–2–4–5–3 e o espaçamento dos eventos de combustão dão ao motor uma assinatura acústica imediatamente reconhecível. O TT RS não recebeu apenas mais potência. Recebeu uma voz que o ligava a décadas anteriores da Audi e que, ao mesmo tempo, se tornaria uma assinatura da Audi Sport moderna.

O TT RS devolveu à Audi moderna uma arquitetura profundamente ligada à sua história: cinco cilindros em linha. O 2.5 TFSI de 2.480 cm³ entregava 340 cv e 450 Nm; o RS plus elevou-os para 360 cv e 465 Nm. A instalação continuava dianteira e transversal, com quattro através de embraiagem multidisco eletro-hidráulica. A ordem de ignição 1–2–4–5–3 tornou-se parte inseparável da identidade sonora do modelo.

Competição — o TT volta à pista

O TT Cup demonstrou que a identidade do modelo podia ser adaptada à competição sem copiar integralmente a configuração dos modelos de estrada. A utilização de tração dianteira e de um 2.0 TFSI com função push-to-pass mostrou uma abordagem pragmática: peso, custo, igualdade entre concorrentes e objetivos desportivos determinavam a solução.

É um ponto importante para o artigo porque impede uma leitura simplista segundo a qual um TT de competição teria obrigatoriamente de reproduzir o quattro dos modelos mais potentes de estrada.

A genealogia do TT inclui versões de competição e programas que demonstram que quattro é uma identidade Audi, não uma obrigação mecânica em todas as aplicações. O Audi Sport TT Cup, já na geração seguinte, utilizaria tração dianteira, 310 cv e função push-to-pass até 340 cv, mostrando como a solução de competição pode divergir deliberadamente da receita dos modelos de estrada.

Audi Sport TT Cup no Nürburgring, 2017
Audi Sport TT Cup no Nürburgring, 2017. Crédito: Hoch Zwei/Audi Communications Motorsport, imagem A1710623. Fonte oficial

2014 — TT 8S: regressar a 1998 sem voltar para trás

A terceira geração regressou conscientemente a vários princípios formais do primeiro TT. Não se tratou de desenho retro. Tratou-se de reconhecer que o 8N tinha estabelecido uma gramática suficientemente forte para ser reinterpretada. A plataforma MQB, a construção multimaterial e a eletrónica moderna permitiram alterar profundamente o automóvel por baixo de uma silhueta que continuava familiar.

O interior foi talvez a demonstração mais clara dessa filosofia. A Audi retirou o ecrã central convencional e colocou a instrumentação digital no campo visual do condutor através do virtual cockpit. Os comandos da climatização foram integrados nas próprias saídas de ventilação. Menos objetos visíveis, mais funções concentradas: uma interpretação digital da mesma disciplina que tinha orientado o TT original.

A terceira geração estreou em Genebra em 2014 e recuperou conscientemente elementos formais do 8N, agora sobre arquitetura MQB e novamente com construção multimaterial em aço e alumínio. Com cerca de 4,18 m de comprimento, 1,83 m de largura e 2,51 m entre eixos, manteve dimensões compactas e proporções mais tensas. A versão inicial mais leve do Coupé foi anunciada na ordem dos 1.230 kg sem condutor, variando naturalmente com motor, transmissão e equipamento.

Audi TT Coupé de terceira geração em movimento
Audi TT Coupé de terceira geração em movimento. Crédito: AUDI AG, imagem A231816. Fonte oficial
Audi TT Coupé de terceira geração, vista traseira
Audi TT Coupé de terceira geração, vista traseira. Crédito: AUDI AG, imagem A231817. Fonte oficial

Virtual cockpit — o interior salta para a frente

O 8S eliminou o ecrã central convencional e concentrou a informação diante do condutor no Audi virtual cockpit. A climatização automática integrou comandos e pequenos displays no centro das próprias saídas circulares de ventilação. O resultado foi um habitáculo radicalmente simplificado, coerente com a filosofia original do TT: concentrar função e reduzir elementos supérfluos.

Habitáculo do Audi TT RS Coupé iconic edition, com virtual cockpit e saídas circulares
Habitáculo do Audi TT RS Coupé iconic edition, com virtual cockpit e saídas circulares. Crédito: AUDI AG, imagem A226512. Fonte oficial

TTS 8S e integração eletrónica do chassis

O TTS inicial utilizou o 2.0 TFSI com 310 cv e quattro. Direção progressiva, magnetic ride e Audi drive select demonstraram uma mudança de época: o caráter dinâmico já não dependia apenas de componentes mecânicos fixos; software e controladores passaram a participar ativamente na afinação. O TTS facelift deve permanecer separado na tabela: 306 cv e 400 Nm, não os 310 cv da configuração inicial.

2016 — TT RS 8S: 26 kg fora, 60 cv dentro

A segunda geração do TT RS não se limitou a aumentar a pressão de sobrealimentação. O cinco-cilindros foi profundamente revisto. Mantinha 2.480 cm³, 82,5 mm de diâmetro, 92,8 mm de curso e a ordem 1–2–4–5–3, mas atingia 400 cv e 480 Nm.

A mudança do bloco/cárter para alumínio foi central: cerca de 18 kg foram retirados só nesse componente e aproximadamente 26 kg no conjunto do motor. Num automóvel de motor dianteiro transversal, reduzir massa no grupo propulsor beneficia a carga sobre os eixos e a resposta dinâmica. A Audi combinou ainda injeção direta e injeção no coletor, Audi valvelift system no escape e um turbocompressor com cerca de 1,35 bar de pressão relativa máxima.

O resultado não era apenas um motor mais forte. Era uma versão mais leve, mais integrada e tecnologicamente mais sofisticada da mesma arquitetura emocional.

A segunda geração do TT RS estreou em Pequim em 2016. O EA855 evo manteve 2.480 cm³, cinco cilindros e a ordem 1–2–4–5–3, mas passou a 400 cv e 480 Nm. A reconstrução incluiu bloco/cárter de alumínio, responsável por cerca de 18 kg de redução, e uma diminuição aproximada de 26 kg no motor completo. A Audi combinou injeção direta e indireta, Audi valvelift system no escape e turbocompressor com cerca de 1,35 bar de pressão relativa máxima.

Audi TT RS Coupé de terceira geração
Audi TT RS Coupé de terceira geração. Crédito: AUDI AG, imagem A162820. Fonte oficial

TT RS 8S — transmissão, chassis e prestações

A S tronic de sete relações, o launch control e o sistema quattro trabalhavam como conjunto. O TT RS Coupé atingia 100 km/h em cerca de 3,7 segundos e o Roadster em 3,9. A velocidade máxima era limitada a 250 km/h, podendo ser elevada para 280 km/h.

O sistema quattro utilizava uma embraiagem multidisco eletro-hidráulica integrada numa rede de sensores e controladores capaz de considerar ângulo de direção, velocidades das rodas, acelerações e pedido de binário. A lógica passava de uma reação simples à perda de aderência para uma gestão muito mais antecipatória da dinâmica.

Na dianteira, discos de 370 mm e pinças fixas de oito pistões davam ao TT RS capacidade térmica compatível com as prestações; discos carbono-cerâmicos dianteiros podiam ser especificados. O RS sport suspension plus com magnetic ride permitia variar rapidamente a força de amortecimento e integrar-se com o Audi drive select.

O wheel-selective torque control utilizava intervenções seletivas de travagem para ajudar o automóvel a rodar. Não deve ser confundido com um diferencial mecânico traseiro ativo: o objetivo dinâmico pode aproximar-se em determinadas situações, mas o mecanismo é diferente.

OLED e virtual cockpit RS

Os farolins Matrix OLED opcionais mostraram como o TT continuava a funcionar como objeto de experimentação visual. Uma superfície OLED emite luz de maneira homogénea e permite segmentos finos e precisos, abrindo possibilidades de assinatura luminosa que não dependem da mesma forma de refletores e guias óticas de soluções convencionais. Num automóvel cuja história começou com a pureza da forma, terminar a carreira com inovação na própria superfície luminosa era particularmente coerente.

O TT RS tornou-se também palco tecnológico. Os farolins Matrix OLED opcionais permitiam superfícies luminosas homogéneas e assinaturas muito precisas. O virtual cockpit ganhou apresentação RS, podendo destacar conta-rotações, forças G, pressão dos pneus, potência, binário, tempos por volta e indicação de mudança. Mesmo na versão mais extrema, a tecnologia continuava subordinada à arquitetura minimalista do habitáculo.

2018 — vinte anos e TT 20 years

O TT 20 years, limitado a 999 exemplares, recuperou o couro Nappa Moccasin Brown e as costuras Panuka como referência ao Roadster concept de 1995. A homenagem não procurava fingir que um automóvel moderno era um concept antigo. Recuperava cor, textura e atmosfera. É heritage usado como memória material, não como decoração nostálgica.

A atualização de meia-vida coincidiu com os vinte anos do TT de produção. O TT 20 years recuperou deliberadamente a atmosfera do Roadster concept de 1995 através do couro Nappa Moccasin Brown e costuras Panuka. A edição foi limitada a 999 exemplares e disponibilizada como Coupé e Roadster. A homenagem funcionava por memória material e cromática, não por imitação retro literal.

2022 — TT RS iconic edition

Limitada a 100 unidades para a Europa, a TT RS Coupé iconic edition em Nardo Grey utilizava um Aerokit específico, incluindo uma asa traseira fixa em carbono. A mecânica de 400 cv e 480 Nm permanecia. A escolha é editorialmente deliciosa: o TT que começara com uma traseira tão pura que acabaria por receber um spoiler por razões de estabilidade terminava a carreira RS com uma asa fixa assumida e desenvolvida como parte da sua identidade aerodinâmica.

Audi TT RS Coupé iconic edition em Nardo Grey, detalhe do Aerokit
Audi TT RS Coupé iconic edition em Nardo Grey, detalhe do Aerokit. Crédito: AUDI AG, imagem A226502. Fonte oficial
Audi TT RS Coupé iconic edition em pista
Audi TT RS Coupé iconic edition em pista. Crédito: AUDI AG, imagem A225010. Fonte oficial
Audi TT RS Coupé iconic edition, vista traseira em movimento
Audi TT RS Coupé iconic edition, vista traseira em movimento. Crédito: AUDI AG, imagem A225016. Fonte oficial

2023 — o fim em Győr

O último TT produzido em Győr foi um TTS em Chronos Grey destinado à coleção histórica da Audi em Ingolstadt. A formulação factual deve permanecer precisa: este automóvel encerrou uma produção acumulada de 662.762 Audi TT ao longo de 25 anos. Não há base documental suficiente, no material aprovado, para transformar 662.762 num “número individual” ostentado pelo último carro.

O significado histórico é maior do que o número isolado. A produção acumulada inclui três gerações, Coupé e Roadster, quatro, cinco e seis cilindros, gasolina e Diesel, tração dianteira e quattro, caixas manuais e de dupla embraiagem, versões TTS e TT RS e uma longa sequência de experiências de materiais, chassis, eletrónica e design.

Último Audi TT produzido em Győr
Último Audi TT produzido em Győr. Crédito: Audi Hungaria. Fonte oficial

Epílogo — duas letras, uma ideia

Colocados lado a lado, 8N, 8J e 8S mostram diferenças profundas de plataforma, materiais, motores, transmissões, eletrónica e regulamentação. E, no entanto, não é preciso ler o emblema para reconhecer cada um deles.

Talvez seja essa a especificação técnica mais difícil de alcançar: identidade. O TT mudou o suficiente para permanecer contemporâneo durante um quarto de século, mas nunca precisou de destruir a ideia que o tinha tornado especial. Em 1995 era futuro. Em 1998 era novidade. Em 2023 passou diretamente da linha de produção para a história.

Fim da produção. Não necessariamente da história.

Vídeo — Time for TT

Time for TT — The Audi TT Story, Big Car, 2 de fevereiro de 2024.

Duas gerações do Audi TT reunidas em estúdio
Duas gerações do Audi TT reunidas em estúdio. Crédito: AUDI AG, imagem A231818. Fonte oficial
Audi TT de primeira e terceira gerações reunidos em estúdio
Audi TT de primeira e terceira gerações reunidos em estúdio. Crédito: AUDI AG, imagem A231819. Fonte oficial

Quadro técnico consolidado — versões-marco

Geração / versãoMotorPotênciaBinárioTraçãoTransmissão / nota-chave
8N 1.8T1.781 cm³, 4L turbo180 cvDianteira / quattro conforme versãoManual
8N 1.8T 225 quattro1.781 cm³, 4L turbo225 cvquattroManual
8N 3.2 quattro3.189 cm³, VR6 atmosférico250 cvquattroManual / DSG conforme versão
8N quattro Sport1.781 cm³, 4L turbo240 cvquattroManual; 1.168 entregues
8J 2.0 TFSI1.984 cm³, 4L turbo200 cvDianteira / quattro conforme versãoManual / S tronic
8J 2.0 TDI quattro1.968 cm³, 4L turbodiesel170 cvquattroManual
8J TTS1.984 cm³, 4L turbo272 cvquattroManual / S tronic; magnetic ride
8J TT RS2.480 cm³, 5L turbo340 cv450 NmquattroManual; depois S tronic
8J TT RS plus2.480 cm³, 5L turbo360 cv465 NmquattroManual / S tronic
8S 2.0 TFSI1.984 cm³, 4L turbo230 cvDianteira / quattro conforme versãoManual / S tronic
8S TTS inicial1.984 cm³, 4L turbo310 cvquattroManual / S tronic
8S TT RS2.480 cm³, 5L turbo400 cv480 NmquattroS tronic 7; 0–100 km/h 3,7 s Coupé
8S TTS facelift1.984 cm³, 4L turbo306 cv400 NmquattroS tronic 7; 0–100 km/h 4,5 s Coupé

TT RS 8S — ficha técnica de referência

TipoCinco cilindros em linha, gasolina; dianteiro transversal
Cilindrada2.480 cm³
Diâmetro × curso82,5 × 92,8 mm
Bloco/cárterAlumínio
SobrealimentaçãoTurbocompressor; cerca de 1,35 bar de pressão relativa máxima
AlimentaçãoInjeção direta + injeção no coletor
DistribuiçãoAudi valvelift system no lado do escape
Potência294 kW / 400 cv
Binário480 Nm entre 1.700 e 5.850 rpm
TransmissãoS tronic de sete velocidades
Traçãoquattro, embraiagem multidisco eletro-hidráulica
0–100 km/h3,7 s Coupé / 3,9 s Roadster
Velocidade máxima250 km/h limitada; 280 km/h opcionalmente
Rodas19 in / pneus 245/35; opção 20 in / 255/30
Travões dianteirosDiscos ventilados/perfurados; pinças de oito pistões; carbono-cerâmicos opcionais
Suspensão traseiraFour-link
DireçãoProgressiva, afinação RS
Coeficiente aerodinâmicoCd 0,32 Coupé / 0,33 Roadster
Tecnologia distintivaMatrix OLED traseiro opcional; virtual cockpit RS
Ordem de ignição1–2–4–5–3

Créditos editoriais

Editor-chefe — António Ricardo

Investigação, estruturação, desenvolvimento técnico, apoio à redação e revisão editorial — Francisco Quântico, assistente de inteligência artificial, no âmbito da parceria SPUNIQCARS × Francisco Quântico.

A participação de Francisco Quântico corresponde à identidade utilizada pelo assistente de IA na parceria editorial e não representa uma pessoa humana.

SPUNIQCARS — Sporty Unique Cars. Marca fundada por António Ricardo em 27 de fevereiro de 2018.