Alfa Romeo

Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio – a força poderosa de uma berlina italiana

Alfa Romeo Giulia. Uma nova encarnação do clássico Giulia. E não é um qualquer. É um Quadrifoglio. Mas… o que significa isto?

“Quadrifoglio” é o termo italiano que designa “trevo de quatro folhas”. O conhecido símbolo, assente em fundo branco, é o símbolo da herança da competição automóvel da marca italiana, cujo mito teve origem na vitória de Ugo Sivocci ao volante de um Alfa Romeo RLTF no Targa Florio de 1923, quando o famoso trevo, desenhado na frente do capot do carro, foi utilizado para dar sorte ao piloto. O piloto italiano morreu no mesmo ano ao testar o promissor P1 no antigo circuito de Monza e, desde então, e sempre que a Alfa Romeo competiu nas mais diversas frentes, o símbolo foi sistematicamente utilizado. O mesmo aconteceu com as versões mais desportivas de diversos modelos de estrada ao longo da história até aos dias de hoje. O símbolo foi também aplicado na primeira geração da berlina Giulia (versão TI Super), e voltou agora em força na nova geração do Giulia, apresentada a 24 de junho de 2015. O Alfa Romeo Quadrifoglio fez as honras da casa ao estrear a nova versão do símbolo da marca, servindo de prato principal da ementa do modelo.

É caso para dizer que a Alfa Romeo rejuvenesceu no tempo. Depois de uma longa travessia no deserto, com veículos que danificaram seriamente a imagem de requinte e desportividade, a firma de Arese regressa finalmente às suas origens, junta o melhor da evolução da tecnologia italiana e apresenta um carro portentoso, capaz de concorrer de igual para igual com os melhores carros alemães do segmento, respeitando na integra as raízes da moda italiana. E dá-se ao luxo de ter no seu catálogo três versões desportivas: Super, Veloce e Quadrifoglio. É desta última que vou falar, sem sombra de dúvida a mais assombrosa. Nunca um Giulia foi tão potente. Aliás, nunca um Alfa Romeo de estrada foi tão potente. Nem em sonhos… Uma autêntica bomba!

O Giulia Quadrifoglio veio claramente fazer frente às todas poderosas berlinas alemãs. Apresenta como argumentos de peso um aspeto visual mais apaixonante e menos sóbrio e, acima de tudo, um motor cujo nível de potência se equipara ao de alguns superdesportivos: um 2.9 V6 biturbo a gasolina, inteiramente em alumínio, com injeção direta e os cilindros opostos a 90 graus, que debita 510 cv às 6500 rpm e um binário máximo de 600 Nm entre as 2500 e as 5000 rpm. O motor tem por base o bloco V8 biturbo da Ferrari, ao qual foram retirados dois cilindros, caso contrário o chassis-carroçaria não aguentaria tanto poder de explosão… e não soaria tanto à Alfa Romeo. Além de que o seu roncar traz algumas reminiscências de alguns modelos míticos da marca… não acham? Ainda assim, a performance do V6 chega e sobra para o estalar de emoções ao volante do bólide de quatro portas com o famoso trevo. A velocidade máxima cifra-se nos 307 km/h, com uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 3,9 s, não dispondo qualquer tipo de limitador eletrónico. Não sendo mais rápido do que, por exemplo, o novíssimo BMW M5 que debita mais 90 cavalos, em comportamento dinâmico não fica atrás deste e de outros, até do novo Porsche 911 GT3 RS que é pouquíssimo mais veloz, e até mais pesado, mesmo com redução de peso em relação ao GT3 normal e munido de uma asa traseira, coisa que o Giulia Quadrifoglio não tem.

Passemos agora ao design. Não existe uma linha que não respire fluidez e clareza de espírito desportivo. Ou, o que a Alfa designava de cuore sportivo. No campo da emoção, qualquer carro de verdadeira essência italiana bate qualquer carro alemão. Mas este ultrapassa todos os limites da emoção. É que o desenho funciona em cada uma das partes, tanto como funciona como um todo, unificando-se à mecânica visceral que transmite todos os sentidos ao chão e às mãos do condutor. Exteriormente, esta bela peça de arte distingue-se pela familiar grelha triangular, pelo design agressivo da capota do motor e pelas arestas proeminentes nas zonas laterais do veículo. Não faltam pedaços de fibra de carbono no tejadilho, na capota do motor, no pequeno spoiler traseiro e nas minissaias, que lhe acentuam o caráter desportivo. O sistema de tração traseira e a perfeita distribuição de peso (50:50) deu espaço para os engenheiros darem especial ênfase no apoio traseiro à zona do habitáculo (os pneus traseiros têm maiores dimensões do que os pneus dianteiros), no comprimento da capota do motor e na largura da frente.

A dinâmica própria do Giulia Quadrifoglio explica-se também pela multifacetada suspensão Alfa™ Link, sendo que a suspensão da frente é de duplo braço com eixo de direção semivirtual e a suspensão traseira é de quatro braços e meio. A suspensão dianteira tem a particularidade de manter as rodas dianteiras em posição perfeitamente perpendicular ao solo (uma característica da competição automóvel), dando um movimento mais linear da direção em 20% e tornando o carro menos subvirador, enquanto que a suspensão traseira confere uma enorme estabilidade em curva e, com isso, um conforto muito maior. Outra característica indispensável é o sistema de vectorização de binário que assegura uma ótima distribuição do binário entre as rodas traseiras graças ao diferencial de controlo eletrónico de duas embraiagens. Este sistema funciona de modo a que o carro ganhe tração suplementar em pisos de estrada mais degradados e em curva, tornando-o mais seguro de conduzir nos limites de aderência. Em termos aerodinâmicos, o splitter dianteiro em fibra de carbono, denominado de Active Aero, está localizado mesmo por baixo do para-choques dianteiro, e ativa-se a partir dos 100 km/h graças a dois atuadores controlados pelo Alfa™ CDC (Chassis Domain Control), gerando 100 kg de força descendente a 300 km/h. Graças a este sistema de aerodinâmica ativa, o coeficiente vertical descendente (Cz) é de -0,1. O difusor traseiro (onde encaixam as ponteiras de escape), a exemplo dos restantes elementos estilísticos, não peca por exagero e encaixa na perfeição na zona por debaixo do parachoques traseiro, ajudando à estabilidade do carro a alta velocidade. Os travões são compostos de discos autoventilados de cerâmica com êmbolos de grandes dimensões.  As belas jantes de liga leve e peso baixo, cujo típico estilo Alfa foi refinado, são de 19”.

A exemplo do que já aconteceu com outros modelos recentes da Alfa, o Quadrifoglio vem equipado com o já famoso sistema DNA que, neste caso particular, estreia uma nova versão (Pro) que incorpora a apetecível função dedicada aos track days. Este sistema interage com o Chassis Domain Control. No total tem quatro modos de condução, comandados por um botão giratório (nas versões normais o modo de atuação é sob forma de pequena alavanca):

  • RACE  – ativa a função de sobrealimentação e realça o som do escape em condução desportiva em pista;
  • DYNAMIC  – aumenta a rapidez de resposta dos travões e do volante, para uma condução desportiva em estrada;
  • NATURAL  – confere um maior conforto das suspensões, para perfeito equilíbrio durante a condução do dia-a-dia;
  • ADVANCED EFFICIENCY  – desativa os cilindros para maximizar a poupança de combustível e a eficiência dinâmica.

O Chassis Domain Control integra ainda o sistema de controlo de estabilidade (ESC), o sistema de travagem integrado (IBS) que otimiza a distância de travagem a alta velocidade, ajudando o carro, por exemplo, a travar dos 100 km/h aos 0 em apenas 32 metros.

No capítulo da segurança, o Giulia Quadrifoglio não desilude, sendo dotado do sistema de prevenção de colisões Forward Collision Warning (FCW), que interage com o sistema de travagem automática Autonomous Emergency Braking (AEB). Existem ainda o sistema de deteção de peões Lane Departure Warning (LDW), o Cruise Control com limitador de velocidade, o Blind Spot Monitoring (BSM) que deteta obstáculos nos ângulos mortos e, ainda, uma telecâmara traseira com grelha dinâmica e os sensores de estacionamento, entre outros.

O interior reflete na perfeição o foco na relação simbiótica entre o condutor e o carro num ambiente de superdesportivo. O volante é forrado a pele, com uma aplicação parcial em fibra de carbono, contendo mesmo junto ao centro um botão vermelho de ignição do motor, e outros botões funcionais na trave do volante. Os bancos dianteiros, forrados em pele, oferecem excelentes níveis de conforto e  sustentação lateral, existindo ainda a opção pelos bancos de pele em forma de bacquet fabricados pela Sparco, com estrutura base em fibra de carbono. A posição de condução é ideal para a condução desportiva, complementando-se através dos pedais de alumínio. A moldura do painel de instrumentos é composta de fibra de carbono. Todo o restante tablier é forrado a pele, com exceção da consola central que é composta de fibra de carbono, enquanto que vários botões e as entradas de ventilação contém aplicações em cromado. O sistema de infoentretenimento de nova geração é munido de ecrã tátil de alta resolução de 6,5″ com ligação ao Bluetooth, ao USB e aos comandos no volante. Como opcional, está disponível o sistema de infoentretenimento avançado Connect 3D Nav 8.8″, com Radiodifusão Digital (DAB) e painel de instrumentos a cores TFT de 7″. O Novo Giulia Quadrifoglio propõe ainda o Sound Theatre by Harman Kardon com 900 W de potência e 14 altifalantes, incluindo dois altifalantes surround e um subwoofer.

A nova berlina superdesportiva da Alfa Romeo é vendida em solo português com duas versões: a de caixa manual de seis velocidades e a de caixa automática de dupla embraiagem (de oito velocidades) com patilhas de alumínio fixadas na coluna de direção. Para a versão de caixa manual o preço base é de 96.800 €, valor que aumenta para os 99.100 € na versão de caixa automática. Face à vasta oferta de equipamento, ao excelente design, ao elevado nível de conforto e às elevadas performances, o preço torna-se francamente acessível, em comparação com os preços mais elevados dos seus rivais diretos.

Será que todas as qualidades intrínsecas desta peça de artilharia italiana chegarão para ser um sucesso de vendas equiparável aos bulldozers alemães? No fundo, os alemães são mais eficazes e frios em tudo do que os italianos, mas… falta-lhes a emoção que os carros italianos têm a mais. Em que se destaca o novo Giulia Quadrifoglio? Pela primeira vez a Itália foi capaz de produzir uma superberlina que reúne o melhor dos dois: a emoção e a racionalidade. E quando ambas se juntam, o resultado só podia ser… perfeito!

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