DS

DS 7 CROSSBACK – Ser nobre, cultural, revolucionário ou desportivo, eis a questão…

Desde 2014 que a DS Automobiles é a nova marca do grupo PSA, criada com o objetivo de concorrer com outras marcas premium, herdando o espírito vanguardista do antigo Citroën DS (conhecido no nosso país como “boca-de-sapo”), onde reinou a alta costura, a elegância e aerodinamismo do puro design e a inovação tecnológica aliada a performances dignas de respeito. Mas, na realidade, a linhagem DS  – cuja sigla significa “Differente Spirit” ou “Distinctive Series” – teve início várias décadas antes, no longínquo ano de 1955, dezoito anos depois do começo do projeto VGD que esteve na sua base, graças ao empreendedorismo de Pierre Boulanger e ao enorme talento coadjuvante de três senhores: André Lefèbvre, engenheiro aeronáutico de formação; Paul Magès, engenheiro autodidacta que veio a criar uma revolucionária suspensão que influenciou o rumo da Citroën; e Flaminio Bertoni, estilista, escultor e pintor de talento, que trouxe ao DS as inconfundíveis linhas, totalmente revolucionárias e elegantes. Estava mais que na altura de substituir o cada vez mais obsoleto Traction Avant, pese embora o grande sucesso deste modelo familiar de tração dianteira. Ao mesmo tempo, nascia o mito que haveria de fazer renascer a sigla para sempre, um símbolo de luxo, conforto, modernidade, eficácia, fiabilidade e desportividade progressiva.

Antes de avançarmos no artigo, vejam este belíssimo vídeo, da autoria da revista periódica sobre automóveis Auto Drive…

O DS ORIGINAL

O Citroën DS foi revelado ao público a 6 de outubro de 1955, no Salão de Paris. Significou muito para os franceses, ainda em plena reconstrução face à destruição causada pela Segunda Guerra Mundial. Com uma conceção muito à frente do seu tempo, causou no imediato um absoluto furor em todo o público presente ao ponto de ter proporcionado um autêntico boom comercial, pois recebeu logo no dia de estreia cerca de 12 mil encomendas firmadas, sendo que ao final de 10 dias o número de encomendas atingiu as 80 mil, número só suplantado pelo carro elétrico Tesla Model 3 muitos anos mais tarde. Mais do que a originalidade qualitativa do design e de construção que rivalizava com as demais marcas de então, destacou-se por inovações tecnológicas que visaram, com sobejo sucesso, proporcionar o máximo conforto ao condutor e seus passageiros: a suspensão hidropneumática que viria ser a grande imagem de marca da própria Citroën, proporcionando um grande nível de estabilidade mesmo em estradas sinuosas ou muito rudimentares e alterando a altura do veículo em relação consoante o nível de irregularidade da estrada (ideal para caminhos pedregosos); o sistema de “power steering”, que fornecia uma força extra ao volante de apenas um raio de modo a facilitar as manobras (uma espécie de direção assistida); para além da versão de caixa manual (com quatro ou cinco velocidades) na zona lateral da coluna de direção, existiu uma versão com caixa de quatro velocidades semiautomática localizada na zona superior da coluna de direção (uma caixa que não necessitava de pedal de embraiagem, contudo a alavanca tinha de ser movida manualmente, e outra ainda com caixa de três velocidades totalmente automática; o “botão” de travagem em vez do tradicional pedal de travagem; e o distintivo relógio analógico embutido no futurista tablier, entre outros pequenos pormenores.

De notar também que o DS foi também o primeiro carro de série a adotar travões dianteiros em disco. tecnologia mais tarde replicada em todos os fabricantes até aos dias de hoje.

A designação de “boca-de-sapo” no nosso país não apareceu por mero acaso, pois a grelha frontal teve sempre desde o início aquela forma; para além disso, era a morfologia do carro, mais larga e volumosa na zona da frente do que na zona de trás, que fazia lembrar a morfologia dos sapos, criando ao mesmo tempo uma clara aerodinâmica progressiva, reforçada pela semi carenagem das rodas traseiras e complementada pelo design dos suportes das luzes traseiras de mudança de direção. Para o seu peculiar comportamento em estrada que minorava os efeitos da subviragem (típico dos carros de tração dianteira), muito contribuiu o diferente comprimento dos dois eixos das rodas, maior no eixo da frente do que no eixo de trás, o que ajuda também a explicar o facto de ser capaz de circular com menos uma roda traseira. Pelo facto de a Citroën ser pertença da Michelin no período em que o DS foi concebido, os pneus tinham a forma radial típica da época e da marca de pneus, o que lhe conferia uma superior qualidade técnica para os padrões daquele tempo.

O vitorioso Citroën DS no Rali de Monte Carlo…

O Citroen DS foi construído entre 1955 e 1975, tendo sido um automóvel global que fez sucesso na esmagadora maioria dos países do mundo. Foram ao todo fabricadas 1.330.755 unidades só em França e 1.455.746 unidades noutras partes do mundo, entre as quais a cidade portuguesa de Mangualde (onde atualmente são fabricadas as atuais furgonetas Berlingo/Partner do grupo PSA). Para além do formato de berlina (4 portas), existiu também o formato de carrinha (5 portas) denominado de Safari, e ainda o formato de descapotável (2 portas). Relativamente a motores, todos localizados logo atrás do eixo motriz dianteiro, existiram quatro versões diferentes (com identificação na porta da mala) para um mesmo bloco de cilindros: DS/ID 19 (1911 cc), DS 20 (1985 cc), DS21 (2175 cc) e DS23 (2347 cc). A partir de uma certa altura, foi fabricada uma versão superior de luxo denominada Pallas, dotada de alguns extras que proporcionavam níveis de requinte e conforto superiores face às versões base.

O modelo futurista francês recebeu o prémio Car of the Century (COTC) de terceiro classificado na influência de design automóvel do século XX e foi considerado o carro mais bonito de todos os tempos pela revista inglesa de automóveis clássicos Classic & Sports Car. Foi utilizado por diversas vezes, até aos dias de hoje, como carro de rali, tendo vencido nos tempos áureos o Rali de Monte Carlo por duas vezes (em 1959 e 1966), o Rali dos 1000 Lagos (em 1962) e ainda o London-Sahara-Munich World Cup Rally de 1974. Em termos tecnológicos e de design, influenciou diretamente os modelos CX (sucessor direto), SM (contemporâneo, em formato de Grande Turismo e com motor Maserati) e GS (contemporâneo do CX, de dimensões mais reduzidas).

Quis a Citroën, já sob a égide da Peugeot, que sigla comercial terminasse em 1975 com o fabrico da último exemplar. Foram precisos 34 anos para o regresso da lenda…

A modernidade está presente em toda a história da saga DS…

DO RESSURGIMENTO DO MITO AO NASCIMENTO DE UMA NOVA MARCA

Em 2009, a sigla DS voltou a surgir no seio da Citroën, desta feita como uma submarca que iria contemplar modelos do segmento premium, com franca inspiração no Citroën DS original. O primeiro modelo a surgir, logo no ano seguinte, foi o Citroen DS3, um modelo hatchback com configuração única de três portas que partilhava a plataforma com o Citroën C3, e que também serviu de base ao Citroën DS3 WRC, campeão mundial de ralis pilotado por Sébastien Loeb. No mesmo ano, foi lançado o Citroën DS4, um familiar de cinco portas que se distinguia por uma irreverência semelhante ao Citroën DS3. Em 2011, foi lançado o Citroën DS5, um carro compacto executivo que se colocou no topo da gama DS da Citroën, e que teve um exemplar utilizado pelo ex-presidente da República François Hollande.

O Citroën DS5 em funções plenamente executivas…

Para além de um nível superior de customização que se refletia na presença dos distintivos cromados no exterior, jantes maquinadas e interiores forrados em tecidos nobres, os três modelos apresentavam como denominadores comuns: uma grelha frontal trapezoidal, cuja zona superior continha dois traços paralelos que encurvavam no centro sob a forma da mais recente versão do “double chevron”; a placa retangular com a letra S da famosa sigla; na zona central da traseira do veículo, o logótipo DS seguido do número (3, 4 ou 5) que complementava a designação do modelo e abaixo deste a designação verbal “Citroën”.

Em 2014, o português Carlos Tavares assume o desafio de comandar os destinos do grupo PSA depois da saída conturbada do lugar de diretor adjunto da aliança Renault-Nissan. Uma das primeiríssimas decisões do reputado gestor de empresas foi algo que iria fazer a sigla DS subir para um novo patamar: a sua fundação como marca própria de automóveis de luxo.

A nova marca premium do grupo PSA

Pegando na herança espiritual do clássico Citroën DS, a nova DS Automobiles foi fundada em 2014, colmatando a grande lacuna do grupo PSA, que era o facto de não conter nenhuma firma de automóveis de luxo. Com isso, os modelos DS3, DS4 e DS5 saíram do portefólio da marca, ao mesmo tempo que sofriam uma nova estilização com o objetivo de refletir a nova imagem de marca da DS, fortemente marcada pelas novas “DS Wings”. Assim surgiram os renomeados DS 3, DS 4 e DS 5; a propósito, por favor cliquem nas hiperligações já anteriormente incluídas neste artigo, “Citroën DS3”, “Citroën DS4” e “Citroën DS4”, onde podem verificar as mudanças de visual entre as duas eras. Atualmente, em solo português, apenas sobreviveu o DS 3, o qual foi de longe o modelo mais vendido dos três e também o que mais beneficiou com o rebranding, existindo mesmo duas versões especiais com cariz estritamente desportivo: a versão Café Racer e a DS Performance Line. Curiosamente a linha DS Performance é uma das chamadas “inspirações DS” contidas no primeiro modelo da segunda geração de modelos DS, apresentado no Salão de Genebra de 2017, do qual irei falar de seguida e que dá o sentido ao título deste artigo. Posso desde já dizer-vos que testei este modelo, justamente com o pack DS Performance, e tenho esperanças de poder testá-lo mais afincadamente, com vista para um possível vídeo a ser publicado no canal de YouTube. Caros amigos, eis o novo DS 7 Crossback!

O novo DS 7 Crossback inaugura uma nova fase da DS Automobiles…

O NOVO DS 7 CROSSBACK

O novo modelo da DS é o primeiro SUV da história da marca e representa, segundo a marca, a “inovação & experiência com a assinatura de Paris”, ao associar diversas inovações tecnológicas à experiência francesa em matéria de alta costura têxtil no revestimento de interiores com recurso ao método artesanal e a utilização de materiais nobres. Estabelece-se o compromisso de ser um produto 100% francês, sendo ele desenhado, concebido e produzido em França. A sua essência de nobreza é reforçada pela proeminente grelha frontal em forma hexagonal com padrão de diamante, envolta nas “DS Wings”, que podem ser cromadas ou em Preto brilhante texturado (acontece o mesmo com os frisos que envolvem as luzes traseiras) consoante as versões de personalização – denominadas de “inspirações DS”. Uma coisa é certa: qualquer que seja a versão, a união entre a força e o requinte está garantida. No capô, existem duas duas nervuras centrais que evidenciam o distintivo DS, ao passo que os guarda-lamas dianteiros e traseiros possuem arestas que fazem sobressair os volumes musculados do veículo, criando um efeito de dinamismo mesmo parado.

Exteriormente, o DS 7 Crossback destaca-se ainda pela assinatura luminosa herdada do protótipo de propulsão elétrica sob forma de GT, o DS E-Tense, com facetas diferentes para os faróis dianteiros e para os farolins traseiros. Os faróis dianteiros estão dotados com luzes verticais “DS Active Led Vision”, facetadas como peças de joalharia que, quando acendem, expressam uma luz púrpura, rodando de seguida a 180º, assegurando uma iluminação de alto desempenho que se adapta a todas as condições. Os farolins traseiros contém luzes dotadas de tecnologia 3D Full LED, apresentando uma forma tridimensional escamada que se obtém através do método de gravação a laser, para uma iluminação com alto grau de precisão. No parachoques frontal destacam-se as luzes diurnas verticais, desenhadas em “ponto pérola”, alternando com os módulos LED das luzes.

Em termos de cores, existem nove opções: Branco Banquise, Branco Perle, Azul Encre, Castanho Antracite, Cinzento Artense, Cinzento Platinum, Preto Perla Negra, Ouro Byzantin e Vermelho Absoluto. No que respeita às jantes, existem seis opções: BEIJING Preto Onyx Brilhante (19”), ROMA Antracite Brilhante (19”), GENÈVE Preto Onyx Brilhante (18”), BUENOS AIRES Cinzento (18”), BERLIN Cinzento Eclat Clicker Brilhante (17”) e TOKYO Preto Onyx Brilhante (20”).

Bom, vocês certamente já viram como o desenho exterior deste SUV impressiona pela sua beleza genuinamente francesa. Mas olhem bem para o interior!…

Existem dois pormenores retro que os entusiastas do Citroën DS conseguirão certamente notar no tablier; as aberturas de ventilação verticais localizadas nos extremos e o relógio analógico localizado no centro do tablier. Mas, mais do que isso, todo o interior transpira a arte e a moda francesa, a que se alia um autêntico concentrado de tecnologia. Tudo muito bem montado e organizado, tal como pude constatar.

Conforme a personalidade do potencial proprietário, são quatro as denominadas “inspirações DS” à escolha para o revestimento de interiores, desde o mais chique ao mais casual: OPERA para os nobres (conforme a foto imediatamente acima), RIVOLI para os culturais, BASTILLE para os revolucionários e DS PERFORMANCE Line para os desportivos, combinando com cinco tecidos diferentes: Tecido Perruzi Bronze, Alcantara® PERFORMANCE Line,  Couro granulado Basalte, Couro Napa Castanho Alezan (confeção tipo bracelete) e Couro Napa Art Basalte (confeção tipo bracelete).

De ressalvar que a DS PERFORMANCE Line é a única inspiração a receber exteriormente as “DS Wings” e o friso em Preto brilhante texturado, bem como as jantes BEIJING Preto Onyx Brilhante (19”), e apenas admite a inspiração interior com a mesma designação e a forragem em tecido Alcantara®, no que foi uma decisão acertada da DS, pois confere um aspeto consentâneo com os valores que os desportistas  – como eu – tanto apreciam, ou seja, a sobriedade, a resistência e o binómio conforto/dinâmica com que os bancos seguram o condutor em qualquer situação, como se fossem bacquets de competição. Aliás, o formato de base dos bancos fornece, por si só, um excelente apoio lateral, independentemente do tecido aplicado. Em termos globais, é de salutar a qualidade realmente superior dos cinco tecidos da gama e o tal “savoir-faire” francês no que respeita à tecnologia ancestral de alta costura.

Existem mais delícias que fazem do habitáculo uma verdadeira experiência sensorial, tais como: o guilochado “Clous de Paris”, os comandos com cristais, o relógio analógico da reputada marca francesa B.R.M. (modelo R180), o botão retangular de “Start/Stop DS” localizado logo abaixo o relógio, os puxadores das portas retroiluminados (com várias opções de cor), os pespontos “ponto pérola” e os dois ecrãs digitais de 12” (um painel de bordo e o ecrã táctil HD central.

Tecnologicamente falando, o painel de bordo possui um nível de grafismo e de elegância elevados, podendo ser personalizado e com ampla capacidade de proporcionar ao condutor uma visualização de todas as informações de condução através de um menu suspenso, controlável diretamente através a partir do volante, com seis modos disponíveis, entre os quais o ecrã de controlo de funções DS CONNETED PILOT (útil para navegação) ou ainda o DS NIGHT VISION (para visualizar obstáculos à noite). Passando para o ecrã tátil central, dedicado ao infoentretenimento, este permite comandar todas as funções do veículo através de um panorama de botões ‘Universo’ sensitivos, assim como um comando cromado com cristais (consoante a versão). Tais botões sensitivos dão acesso às diversas funções de conforto, multimédia e conectividade. Uma das funções de conforto consiste em distribuir harmoniosamente dois tipos de fragrância premium para o habitáculo: Cashmere e Titanium. O que, juntamente com a iluminação PolyAmbient difundida por feixes nos painéis das portas dianteiras (oito cores à escolha), compõe o DS SENSORIAL DRIVE. Os bancos dianteiros podem ser aquecidos, ventilados ou de massagem (cinco modos disponíveis), proporcionando o melhor conforto possível aos passageiros da frente. Existem também botões físicos abaixo do ecrã que servem como atalhos diretos a funções específicas do mesmo sistema.

A partir do ecrã tátil central é também possível aceder ao DS Connect que oferece uma panóplia de serviços tais como: a segurança (SOS e assistência), a manutenção (através da telemanutenção), a navegação conectada e o entretenimento através das funções Mirror Screen (Android Auto™, Apple CarPlay™ e Mirror Link®), dependendo do sistema operativo de cada modelo de smartphone.

Completando as funções de som do sistema multimédia, a DS recorreu à FOCAL®, líder francês em acústica profissional, hi-fi e automóvel, instalando assim um sistema topo de gama, composto por catorze altifalantes estrategicamente distribuídos pelo habitáculo, que proporciona uma experiência sonora de outro mundo, estejamos a ouvir Beethoven ou Metallica.

Passemos agora às tecnologias de segurança, reunidas todas num pacote a que a DS resolveu chamar de DS SAFETY. São elas: DS NIGHT VISION, DS DRIVER ATTENTION MONITORING e DS ACTIVE LED VISION. Mais do que no campo de design, do conforto, do entretenimento, e das prestações dinâmicas, é no capítulo da segurança que a DS revela os maiores trunfos face à concorrência e que serão, talvez, o fator mais decisivo para a aquisição do modelo. Tecnologia “made in France”, na linha do que melhor se faz no grupo PSA, e que pode muito bem fazer corar de inveja os rivais alemães.

A DS NIGHT VISION é uma tecnologia que permite ao condutor analisar a estrada e seus potenciais perigos através de uma visibilidade noturna otimizada, com recurso a uma câmara de infravermelhos, instalada na grelha frontal, que deteta peões e animais no solo num alcance até 100 metros. Deste modo, o condutor visualiza a estrada no quadro de bordo digital e vê os perigos aparecerem, assinalados a amarelo e, de seguida, a vermelho, com o sinal sonoro duplicado consoante o nível de gravidade. Desta forma, o condutor poderá reagir e antecipar de modo a prevenir acidentes. Uma tecnologia imensamente útil à noite e fácil de interpretar pelo condutor.

A DS DRIVER ATTENTION MONITORING atua no campo do nível da vigilância do condutor, tanto de dia como de noite, permitindo identificar todos os sinais de diminuição da vigilância no seu turno de condução. Por via de uma câmara de infravermelhos instalada por cima do volante, duplicada por uma câmara na parte superior do para-brisas, o sistema controla permanentemente: os olhos, relativamente ao cansaço (piscar das pálpebras), a cara (orientação do olhar), os movimentos da cabeça para a distração e a trajetória do veículo relativamente às linhas da estrada, nomeadamente os desvios ou solicitações de travagem do condutor. Em caso de deteção de qualquer anomalia num destes fatores, é emitido um sinal sonoro e aparece um alerta no quadro de bordo digital aconselhando-o a fazer uma pausa de condução em local oportuno. Particularmente para aqueles que levam a segurança muito a sério, este sistema é um ótimo auxiliador para gerir o esforço de condução, sobretudo em longas viagens. Para o caso de o condutor se distrair mesmo com este sistema, existem mecanismos de proteção dos passageiros para várias situações.

No caso em que o condutor esteja totalmente distraído, é acionado o sistema de travagem automática, para que o condutor consiga evitar ou minimizar os efeitos de uma colisão (funciona acima de 5 km/h). Em situações de transposição involuntária de linha nas vias de circulação, é ativado um sistema de alerta ativo de transposição involuntária (sob forma de uma luz intermitente no quadro de bordo durante o período da correção), que realiza o movimento contrário progressivamente para manter o veículo na sua via. Existe ainda o controlo ativo de ângulos mortos, que informa o condutor relativamente à presença de um veículo na zona de ângulo morto, através de um díodo que se acende no retrovisor exterior do lado em questão, e realiza uma ação de correção de trajetória, conforme necessário.

A já referida anteriormente DS ACTIVE LED VISION é a versão moderna dos faróis giratórios do mítico Citroën DS, que combina estilo com tecnologia. Em cada farol, três módulos LED rotativos completam uma luz principal de LED. Dependendo do ângulo do volante, da velocidade do veículo e das condições meteorológicas, tais módulos rodam e podem mesmo inclinar-se e, com isso, o alcance da iluminação pode ser reduzido ou aumentado, ao passo que a amplitude pode ser alargada ou melhor orientada para iluminar mais ou menos as bermas da estrada. Existem seis modos de atuação deste sistema: Estacionamento, Town Beam, Country Beam, Motorway Beam, Adverse Weather e High Beam.

Se acham que as tecnologias se resumem ao capítulo da segurança, desenganem-se! A seguinte tecnologia faz as delícias dos amantes da suspensão hidráulica na sua mais recente evolução, derivada do antigo sistema hidropneumático do Citroën DS, com a adição de um sistema eletrónico inteligente. Chama-se DS ACTIVE SCAN SUSPENSION, a suspensão DS do século XXI. Esta tecnologia, juntamente com o sistema de catorze altifalantes da FOCAL®, compõem o pacote tecnológico DS LOUNGE.

Este sistema é composto por uma câmara instalada por trás do para-brisas e ligada eletronicamente às suspensões, por quatro sensores de altura e três acelerómetros, e que antecipa as irregularidades de qualquer tipo de piso através da análise permanente da natureza da estrada e as reações do veículo, transmitindo, em tempo real, estes dados a um calculador que age em cada uma das rodas independentemente, tornando a suspensão mais rígida ou mais flexível de forma contínua e fluída. Não admira que, no momento em que fiz o test-drive, tivesse notado um comportamento totalmente neutro mesmo em piso composto de paralelepípedos, o que reforça bem a tranquilidade com que se consegue conduzir o DS7 Crossback em qualquer situação.

O DS7 Crossback possui ainda tecnologias de assistência à condução que representam o advento da condução autónoma, inseridas no pacote DS PILOT. Não sendo tecnologias exclusivas do grupo PSA, contribuem para uma maior comodidade do condutor, sobretudo em situações de stress, e contribuem para a prevenção de acidentes. São elas a DS CONNECTED PILOT (o DS 7 Crossback é o primeiro SUV do segmento C a usar este tipo de tecnologia), a DS PARK PILOT e a DS ConnectedCAM.

A DS CONNECTED PILOT regula a velocidade e a distância relativamente ao veículo que circula à frente e insere o veículo na sua via, consoante a escolha do condutor em mudar para a via da esquerda ou da direita em plena segurança, agindo de modo automático na direção. É algo parecido com o “piloto automático”, mas com intervenção da vontade do condutor em se desenvencilhar do trânsito pois, claro está, não é totalmente autónomo. Este sistema funciona num intervalo entre 0 e 180 km/h. Ou seja, tem a capacidade de imobilizar o veículo em caso de necessidade, assim como tem igual capacidade para arrancar automaticamente, tudo sem necessidade de pisar os pedais. Seja em situações de engarrafamento ou em auto estrada, o sistema é extremamente útil, sobretudo depois do desgaste do dia a dia.

A DS PARK PILOT é uma tecnologia, semelhante à de outras marcas, que marca uma estreia em veículos SUV do segmento C. Basicamente, esta tecnologia permite que o veículo estacione sozinho, de forma longitudinal ou perpendicular, sem que seja necessário recorrer manualmente ao volante nem aos pedais. Para a magia acontecer, o condutor deve primeiro reduzir a velocidade para um intervalo abaixo de 30 km/h, de modo a que o sistema detete um lugar disponível para as dimensões do veículo e, quando isso acontece, clicar no botão de estacionamento automático localizado na base do manípulo da caixa de velocidades automática, para que o estacionamento autónomo faça a sua parte. Este sistema está disponível apenas em versões equipadas com a caixa automática de oito velocidades (EAT8).

A DS ConnectedCAM é um sistema que tem por base uma câmara integrada na base do retrovisor interior que capta e armazena fotografias e vídeos. Graças à ligação WiFi, os dados gravados pela câmara podem ser transferidos para um smartphone. Esta parte é especialmente deliciosa para que adora fazer vídeos para as redes sociais.

Falemos agora da gama de motores. O DS 7 Crossback tem como opções as motorizações a gasolina PureTech de 130 cv (caixa manual de seis velocidades), 180 cv e 225 cv (caixa automática de oito velocidades EAT8 da Aisin), bem como motorizações a diesel BlueHDi de 130 cv (com ambas as opções de caixa) e 180 cv (caixa automática de oito velocidades EAT8 da Aisin). Para todas estas opções, a tração é sempre às duas rodas dianteiras, tal como todos os modelos Citroën desde o Traction Avant. Todas as motorizações estão preparadas para cumprir a mais recente norma Euro 6 de emissões de gases nocivos.

No ano de 2019 será estreada na gama DS a motorização híbrida E-Tense com tração integral (4×4) e composta de um motor de combustão a gasolina com 200 cv e dois motores elétricos (um em cada eixo) que, associados ao motor de combustão, produzirão uma potência combinada de 300 cv. Esta motorização será associada à versão eletrificada da caixa automática EAT8 e a uma bateria de iões de lítio com uma potência de 90 kW, sendo que a tração às rodas traseiras será assegurada pelo motor elétrico traseiro, colocado por debaixo do compartimento da mala (cuja capacidade primordial será mantida). Existirão quatro modos de utilização possíveis: 100% elétrico (ZEV), Híbrido para as longas distâncias sem necessidade de recarga (HEV), Combinado (Sport) e 4×4. A motorização híbrida permite o recarregamento da bateria aquando da desaceleração ou através do motor térmico em fase de deslocação. Em utilização 100% elétrica, a bateria de 13 kW/h assegura uma autonomia de 60 km.

O DS 7 Crossback possui a maior capacidade de mala do seu segmento: 555 L (com bancos traseiros rebatidos a capacidade passa para 1750 L). Eis aqui o detalhe das dimensões do veículo (dimensões em mm e volume em L):

Comprimento Exterior 4573
Largura Exterior (retrovisores incluidos) 1906/2098
Altura Exterior 1625
Distância entre Eixos 2738
Distância do Eixo Dianteiro à Frente 925
Distância do Eixo Traseiro à Retaguarda 910
Largura Interior dos Bancos Frontais 1476
Largura Interior dos Bancos Traseiros 1493
Comprimento da Bagageira 933 à 2045 (banco rebatido)
Largura da Bagageiro (entre rodas) 1201
Altura Interior Útil “581 até à chapeleira (e 910 até ao tejadilho)”
Volume da bagageira : mínimo/máximo 555L à 1750L (banco traseiro rebatido)
Numero máximo de passageiros 5

Em termos de equipamento, a gama é composta pelo nível mais completo Grand Chic, passando pelo desportivo Performance Line, pelo So Chic e, por fim, pelo mais básico Be Chic.

CONCLUSÃO

Estamos perante o primeiro SUV da muito jovem marca premium DS, que promete bater a concorrência com um produto que se destaca por uma forte relação qualidade/preço, com preços entre os 40 mil e os 70 mil euros. Com a vantagem de apresentar um design distintivo e com diversos pontos de originalidade, níveis de revestimento de interiores ao nível das marcas alemãs com o incomparável savoir-faire francês, um espaço generoso que confere níveis de conforto insuperáveis por qualquer outra marca premium, e uma ampla oferta de tecnologias que estão em linhas com a constante evolução da gama Citroën da qual a DS descende, excedendo mesmo em alguns aspetos. As motorizações também não desiludem e são todas amigas do ambiente, de acordo com as exigências da mais recente norma europeia Euro 6, além de conterem a mais recente tecnologia PSA, conferido níveis de alta fiabilidade e de performance (velocidade máximas compreendidas entre 194 e 236 km/h). A solidez de construção, mesmo havendo materiais que não sejam tão nobres (existem algumas peças em plástico não revestidas no suporte dos bancos), é claramente acima da média. Outro ponto forte – um apanágio da gama DS – é o conjunto de opções de personalização que oferecem mais possibilidades de escolha para futuros clientes.

No que respeita à minha experiência com a versão DS 7 Crossback Performance Line (PureTech 180 cv), mesmo tendo em conta de que foi um test-drive normal, foi extremamente positiva, embora me tenha dado vontade de testá-la mais afincadamente. Pude experimentar o excelente nível de conforto, a direção assistida e extremamente comunicativa, o conforto de rolamento, o nível de aceleração mesmo perante o facto de se tratar de um veículo com peso elevado (superior a 2000 kg), o modo “sport” que confere ao motor uma melhor resposta à aceleração e uma direção mais precisa, o tato ao tecido Alcantara, entre outras sensações.

Será que no futuro terei a oportunidade de testar esta versão mais afincadamente, desta feita para o canal de YouTube SPUNIQCARS? Pois bem, estejam atentos, pois algo de bom pode estar prestes a acontecer!

Para acabar, fiquem com este vídeo de apresentação completa do DS7 Crossback. Um abraço a todos!

AR

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