Aston Martin Valen: o titã V12 que leva o motor dianteiro ao extremo

Aston Martin Valen em perspetiva dianteira, com pintura Satin Andromeda Red Aston Martin Valen em Satin Andromeda Red. Foto oficial: Aston Martin.

850 CV, doze cilindros e uma linhagem com 113 anos — quando a aristocracia britânica decide deixar de falar baixo

Há automóveis que chegam ao mundo com a delicadeza de uma estreia. E há outros que entram pela porta principal, pousam as luvas sobre a mesa e fazem uma declaração de princípios.

O novo Aston Martin Valen pertence inequivocamente à segunda categoria.

Formalmente, estamos perante um supercarro coupé de dois lugares, motor dianteiro-central e tração traseira, produzido em série limitada. A silhueta conserva as proporções tradicionais do grande Aston Martin de motor dianteiro — capot longo, habitáculo recuado e volume traseiro musculado —, mas troca parte da serenidade de um grande turismo por uma expressão mais extrema, aerodinâmica e declaradamente orientada para o condutor.

À data desta edição, a Aston Martin ainda não publicou as dimensões exteriores, distância entre eixos, vias, peso total ou distribuição de massas do Valen. Esses valores são, por isso, identificados como não divulgados, em vez de serem estimados a partir da plataforma de origem.

Apresentado a 14 de agosto de 2026, durante a Monterey Car Week, o Valen não pretende substituir discretamente um modelo existente, nem ocupar uma quadrícula conveniente no catálogo. É uma criação especial da Q by Aston Martin, concretizada com a participação do recém-formado departamento Special Vehicle Operations, destinada a apenas 150 clientes em todo o mundo.

A apresentação de Monterey constitui a revelação pública oficial do modelo. Até à informação disponível em 24 de agosto de 2026, a marca não identificou um concept car autónomo como antecessor direto do Valen, não descreveu publicamente um programa de protótipos ou locais de testes e não anunciou qualquer recorde em circuito. O desenvolvimento aproveita, contudo, estratégias de mudança provenientes do programa Vantage GT4 e componentes/soluções já aplicados no Valhalla, sem que isso transforme nenhum deles num “concept” do Valen.

E traz consigo uma afirmação difícil de ignorar: segundo a Aston Martin, é o automóvel de produção com motor dianteiro mais potente alguma vez criado por um fabricante — e, sem margem para dúvidas, o Aston Martin de motor dianteiro mais potente dos 113 anos da marca.

Debaixo do imenso capot vive um V12 biturbo de 5,2 litros com 850 cv e 1000 Nm. Mas reduzir o Valen a estes números seria como descrever uma tempestade pela quantidade de água que caiu.

O Valen é potência, sim. Porém, é também memória, desafio, provocação e resistência cultural. Num tempo em que o automóvel de altas prestações parece caminhar inevitavelmente para a eletrificação total, a Aston Martin ergue um grande motor de doze cilindros diante do habitáculo, liga-o exclusivamente às rodas traseiras e pergunta-nos, com requintada insolência britânica:

Ainda se lembram de como um supercarro deve fazer-nos sentir?


1. ANTES DO VALEN: QUANDO A BELEZA APRENDEU A CORRER

A história do Valen começa muito antes de alguém pronunciar o seu nome.

Começa em 1913, com Lionel Martin e Robert Bamford, e ganha verdadeiro corpo nas décadas seguintes, quando a Aston Martin descobre a fórmula que haveria de definir a sua identidade: beleza escultural, engenharia de competição, desempenho de grande turismo e uma elegância que nunca necessita de levantar a voz para ser reconhecida.

O DB2, apresentado em 1950, estabeleceu o mapa genético. O DB4 GT, lançado no final daquela década, tornou-o mais leve, curto e feroz. O extraordinário DB4 GT Zagato, de 1960, demonstrou que a aerodinâmica e a carroçaria artesanal podiam transformar um automóvel rápido numa peça de arte em movimento.

Aston Martin DB4 GT Zagato de 1960, visto de três quartos traseiros
Aston Martin DB4 GT Zagato: a colaboração anglo-italiana que demonstrou, em 1960, como leveza, competição e beleza poderiam habitar a mesma carroçaria. Foto oficial: Aston Martin Heritage.

Depois veio o DB5, eternizado pelo cinema, mas nunca reduzido a mero adereço. Vieram o DBS e, sobre a sua arquitetura, a linhagem dos grandes V8 de Newport Pagnell. Em 1977, o V8 Vantage alcançou cerca de 170 mph — 274 km/h — e reclamou para a Grã-Bretanha um lugar entre os supercarros mais rápidos do planeta.

Aston Martin DB5 de 1963 visto de três quartos traseiros
Muito antes de ser um ícone cinematográfico, o DB5 já condensava a fórmula Aston Martin: proporção, luxo, velocidade e uma elegância imediatamente reconhecível. Foto oficial: Aston Martin Heritage.
Aston Martin AMV8 clássico de Newport Pagnell
O AMV8 de Newport Pagnell forneceu a arquitetura e a presença musculada a partir das quais nasceria, em 1977, o mais potente V8 Vantage — o Aston Martin que levou a escola britânica do motor dianteiro às portas dos 274 km/h. Foto oficial: Aston Martin Heritage.

Era o molde essencial: motor enorme à frente, condutor recuado, tração atrás e uma carroçaria capaz de chegar a um jantar de gala depois de ter atravessado um continente a velocidades pouco recomendáveis.

Em 1999, o DB7 Vantage introduziu o V12 moderno na gama. Dois anos depois, o primeiro V12 Vanquish combinou alumínio, fibra de carbono e artesanato tradicional, inaugurando uma nova era tecnológica. O DBS V12, o compacto e brutal V12 Vantage, o raríssimo One-77, o V12 Zagato e as sucessivas gerações do Vanquish levaram essa fórmula até regiões cada vez mais exclusivas.

Primeiro Aston Martin V12 Vanquish, apresentado em 2001
O V12 Vanquish de 2001 inaugurou uma nova geração construtiva, combinando alumínio, fibra de carbono e artesanato tradicional — uma ponte direta para o Valen. Foto oficial: Aston Martin Heritage.
Aston Martin One-77 em movimento
Produzido em apenas 77 exemplares, o One-77 provou que a Aston Martin podia transformar o grande coupé V12 num objeto de engenharia quase irrepetível. Foto oficial: Aston Martin.

Pelo caminho, a Aston Martin percebeu outra coisa: alguns automóveis não devem nascer de um estudo de mercado, mas de uma obsessão.

Foi dessa liberdade que surgiram o One-77, o Vulcan, o DBR22, o Valour e o Valiant. O Valen é o mais recente membro desta família de máquinas produzidas em números diminutos, nas quais a marca concentra aquilo que sabe fazer quando o departamento financeiro é convidado, por instantes, a falar um pouco mais baixo.

Aston Martin Valour fotografado numa composição superior
Aston Martin Valour: V12 biturbo, caixa manual e uma carroçaria que reinterpretou deliberadamente a força visual dos grandes Aston Martin das décadas de 1970 e 1980. Foto oficial: Aston Martin.
Detalhe frontal do Aston Martin Valiant
Aston Martin Valiant: nascido de uma encomenda de Fernando Alonso e levado pela Q by Aston Martin até uma expressão ainda mais leve, agressiva e orientada para o circuito. Foto oficial: Aston Martin.

O Valen é, portanto, simultaneamente novo e ancestral. Novo na forma. Ancestral na atitude.


2. A DINASTIA DOS “V”: UM NOME COM PESO

Vista frontal do Aston Martin Valen
Faróis profundamente recuados, grelha geométrica e um splitter que parece querer cortar o asfalto: a frente do Valen abandona parte da serenidade tradicional em favor de uma agressividade deliberada. Foto oficial: Aston Martin.

Na Aston Martin, a letra V nunca é inocente.

Foi usada no Vantage, sinónimo histórico de desempenho acrescido. Reapareceu no Vanquish, nome de conquista. Ascendeu à mitologia nórdica com Valkyrie e Valhalla. Celebrou a coragem no Valour e a determinação no Valiant.

Agora surge Valen.

O nome deriva do latim valens: forte, vigoroso, poderoso. É curto, sonoro e suficientemente próximo dos restantes membros da dinastia para revelar a filiação sem perder identidade própria.

Contudo, há uma diferença fundamental. O Valkyrie e o Valhalla olham para o futuro através do motor central e da tecnologia híbrida. O Valour e o Valiant recuperam deliberadamente uma relação mais analógica com a condução. O Vanquish continua a interpretar o grande turismo V12.

O Valen cruza esses mundos: conserva o motor dianteiro e a tração traseira do grande Aston Martin tradicional, mas envolve-os numa execução visual e tecnológica que se aproxima da intensidade de um hipercarro.

É como se o Vanquish tivesse entrado no laboratório do Valkyrie e saído de lá depois de uma noite particularmente malcomportada.


3. UMA ARQUITETURA CLÁSSICA LEVADA AO EXTREMO

O coração do Valen é a mais potente evolução do V12 biturbo de 5,2 litros da Aston Martin. Produz 850 cv e entrega 1000 Nm logo a partir das 2500 rpm.

Trata-se de um motor térmico a gasolina, com doze cilindros dispostos em V e sobrealimentação por dois turbocompressores, instalado em posição dianteira-central. A informação oficial disponível não especifica, para esta evolução, ângulo entre bancadas, diâmetro e curso, taxa de compressão, regime de potência máxima, sistema de injeção ou arquitetura detalhada da distribuição; o artigo não presume esses dados a partir de outras aplicações do mesmo bloco.

A transmissão automática ZF de oito relações recebeu estratégias de mudança desenvolvidas a partir do programa de competição do Vantage GT4. As passagens tornam-se mais rápidas, incisivas e teatrais em todos os modos de condução. O resultado anunciado é uma aceleração dos 0 aos 60 mph em 3,0 segundos e uma velocidade máxima eletronicamente limitada a 214 mph, ou 345 km/h.

Não existe aqui um eixo dianteiro elétrico a disfarçar hesitações, nem motores adicionais a fabricar tração instantânea. O Valen permanece fiel a uma fórmula deliciosamente difícil: motor dianteiro-central e toda a força enviada às rodas traseiras através de uma transmissão automática ZF de oito relações. A posição física da caixa no conjunto não foi detalhada no dossiê oficial.

Isto significa que os números contam apenas metade da história. A outra metade será escrita pela capacidade do chassis para transformar 1000 Nm numa progressão controlável — e pela contenção do pé direito de quem estiver sentado ao volante.

Três modos, três personalidades

O condutor pode escolher entre Sport, Sport+ e Track. Não são apenas nomes diferentes no painel.

Em Sport e Sport+, o acelerador adota um mapa mais curto: uma porção menor do curso do pedal liberta mais cedo a resposta do V12, criando urgência imediata na estrada. Em Track, a Aston Martin faz algo aparentemente contraditório, mas tecnicamente inteligente: alonga e torna mais progressiva a resposta do acelerador, oferecendo ao condutor maior precisão quando pneu e asfalto trabalham no limite.

Na estrada, queremos o impacto. No circuito, queremos a dosagem.

Essa distinção revela que o Valen não foi concebido apenas para impressionar numa ficha técnica ou num relvado de Pebble Beach. Há método por baixo do espetáculo.


4. MENOS 110 QUILOS: A POTÊNCIA QUE NÃO APARECE NO DINAMÓMETRO

Perfil do Aston Martin Valen
No perfil percebe-se a receita tradicional — capot longo e habitáculo recuado — reinterpretada com uma cintura apertada, saias escalonadas e geradores de vórtices serrilhados. Foto oficial: Aston Martin.

Colocar mais potência num V12 biturbo é uma forma de tornar um automóvel mais rápido. Retirar peso de todos os locais certos é uma forma de o tornar melhor.

A Aston Martin anuncia uma redução de até 110 kg face à sua plataforma V12 de produção regular. Para isso recorreu a uma dieta composta por fibra de carbono, alumínio, titânio e magnésio.

A carroçaria é integralmente produzida em fibra de carbono. As jantes de 21 polegadas, em magnésio, são de série e reduzem a massa não suspensa — precisamente aquela que mais influencia a rapidez de resposta da direção, a capacidade do amortecedor para controlar a roda e a qualidade do contacto do pneu com o piso.

Jante de magnésio e travão carbocerâmico do Aston Martin Valen
A jante de magnésio deixa ver o disco carbocerâmico e a pinça de travão: uma combinação concebida para reduzir massa não suspensa e preservar potência de travagem. Foto oficial: Aston Martin.

Para os clientes que considerem insuficiente este grau de obsessão, existe um pacote opcional de redução de peso. Braços de suspensão e mangas de eixo são maquinados a partir de blocos sólidos de alumínio; parafusos do chassis passam a titânio. Só este conjunto elimina 16,9 kg.

É uma quantidade de engenharia quase obscena aplicada a uma diferença de massa que duas malas de viagem poderiam anular. Mas é precisamente assim que se constroem objetos especiais: não perguntando se o esforço é racional, mas se ainda é possível fazer melhor.


5. CHASSIS: FAZÊ-LO SENTIR MAIS CURTO, LEVE E VIVO

O Valen recebe um subchassis traseiro montado solidamente, molas específicas, molas auxiliares e amortecedores semiativos Bilstein DTX. A rigidez lateral foi trabalhada nos dois eixos; cambagem, assistência eletrónica, direção, amortecimento e travagem receberam afinações próprias.

O objetivo declarado não é criar um automóvel nervoso ou inacessível, mas reduzir os movimentos de rolamento e arfagem, aumentar a precisão nas mudanças de direção e conservar uma atitude progressiva e brincalhona no limite.

A direção foi calibrada para transmitir maior rigidez e conexão através do chassis. A Aston Martin diz ter procurado fazer o Valen comportar-se como um automóvel mais curto e leve. Esta frase é talvez mais importante do que os 850 cv: um grande GT pode ser violentamente rápido em linha reta; um verdadeiro supercarro precisa de parecer encolher em redor do condutor quando a estrada começa a enrolar-se.

Os pneus Pirelli P Zero R, desenvolvidos especificamente para o modelo, medem 275/35 ZR21 à frente e 325/30 ZR21 atrás. Incorporam a tecnologia Pirelli Cyber Tyre, capaz de transmitir dados do pneu em tempo real à arquitetura eletrónica do automóvel. Em colaboração com a Bosch Engineering, essas informações permitem que ABS, controlo de estabilidade e controlo de tração adaptem continuamente os seus limiares.

É tecnologia invisível, mas com uma missão muito concreta: permitir que o condutor se aproxime do potencial do Valen sem transformar cada aceleração à saída de uma curva num pedido formal de intervenção divina.

Para travar, discos carbocerâmicos de 410 mm à frente e 360 mm atrás trabalham com um servofreio afinado para preservar um pedal firme e facilmente modulável, tanto a alta como a baixa velocidade.

Saia lateral e elementos aerodinâmicos em carbono do Aston Martin Valen
A saia lateral escalonada e os pequenos elementos em carbono não são adereços: trabalham o fluxo proveniente da zona inferior da carroçaria e ajudam a reduzir a sustentação. Foto oficial: Aston Martin.

6. QUATRO ESCAPES E UM ÓRGÃO DE DOZE CILINDROS

Aston Martin Valen em vista elevada
A perspetiva elevada revela a escultura do capot, a largura das ancas traseiras e o contraste entre o vermelho mutável e as superfícies inferiores em carbono. Foto oficial: Aston Martin.

Este é um dos tais detalhes deliciosos.

O Valen utiliza um escape leve em titânio, criado especificamente para o modelo. As quatro ponteiras, impressas em 3D no mesmo metal, dividem-se em dois níveis: duas superiores e duas inferiores. As saídas superiores permanecem sempre abertas; as inferiores possuem válvulas que abrem consoante o modo selecionado.

Ponteira de escape em titânio do Aston Martin Valen
Grande plano de uma das ponteiras em titânio impressas em 3D, enquadrada pela secção traseira perfurada que ajuda a libertar o calor. Foto oficial: Aston Martin.

A Aston Martin não se limitou a aumentar o volume. Reduziu frequências mais graves, amplificou tons mais agudos e afinou as saídas superiores como tubos de órgão, procurando criar ressonância à medida que o V12 sobe de rotação.

Numa era em que tantas experiências sonoras são sintetizadas, amplificadas ou reproduzidas através de altifalantes, o Valen escolhe um instrumento mecânico com doze câmaras de combustão e um sistema de escape tratado como arquitetura musical.

Será excessivo? Evidentemente.

Ainda bem.


7. DESIGN: O CAVALEIRO TIROU A ARMADURA DE CERIMÓNIA

Durante décadas, os melhores Aston Martin pareceram conter a sua força. Mesmo quando eram brutais, havia neles uma superfície limpa, uma proporção clássica e uma espécie de educação visual.

O Valen mantém as proporções — capot longo, habitáculo recuado, ancas traseiras cheias — mas abandona parte dessa contenção.

Os faróis estreitos estão profundamente recuados sob a aresta descendente do capot. A grelha assume geometria mais angular. O splitter avança como uma lâmina. A tradicional saída lateral deixa de ser um ornamento e prolonga-se numa abertura funcional que extrai ar da cava da roda e o conduz ao longo dos flancos.

Na parte inferior, saias laterais escalonadas comprimem visualmente a cintura. Pequenos geradores de vórtices em forma de dentes de serra extraem fluxo de ar sob o automóvel, reduzindo sustentação e criando carga aerodinâmica.

Atrás, a Aston Martin tomou uma decisão invulgar: substituiu o vidro traseiro fixo e a tampa da bagageira por um painel traseiro sólido e elevatório. Na sua extremidade superior, a própria carroçaria sobe para formar um lábio aerodinâmico semelhante a um Gurney flap, gerando carga sem recorrer à asa de competição que seria a solução mais óbvia.

Bordo traseiro aerodinâmico do Aston Martin Valen
O bordo traseiro elevado funciona como um Gurney flap integrado na própria carroçaria, gerando carga aerodinâmica sem a necessidade de uma asa convencional. Foto oficial: Aston Martin.

Sob esse volume encontra-se uma barra luminosa a toda a largura, uma secção perfurada para expulsar calor e um difusor ascendente que enquadra as quatro saídas de escape.

O resultado não é unanimemente belo no sentido clássico. E talvez nem queira sê-lo. O Valen pretende ser inesquecível antes de ser consensual.


8. SATIN ANDROMEDA RED: UMA COR QUE SE RECUSA A FICAR QUIETA

Três quartos traseiro do Aston Martin Valen
A cor Satin Andromeda Red oscila entre vermelho profundo, cobre, ouro e subtis tons azulados. A traseira elevada dispensa uma asa convencional e transforma a própria carroçaria num elemento aerodinâmico. Foto oficial: Aston Martin.

O exemplar de apresentação veste Satin Andromeda Red, uma pintura Q Ultra criada para acentuar cada dobra da carroçaria.

Detalhe da pintura Satin Andromeda Red e da fibra de carbono do Aston Martin Valen
Sob luz rasante, o Satin Andromeda Red revela a transição entre vermelho, cobre e dourado, contrastando com a abertura em fibra de carbono exposta. Foto oficial: Aston Martin.

A base mistura vermelho profundo, cobre e reflexos dourados, aos quais se juntam subtis tons azulados. Pigmentos Chromaflair fazem a cor mudar com o ângulo da luz, mesmo em ambientes pouco iluminados.

Existe ainda a possibilidade de deixar a fibra de carbono totalmente exposta. Nesse caso, o tecido forma um padrão em espinha ao longo do eixo central do automóvel. O carbono pode receber tonalidades personalizadas, em acabamento mate ou brilhante, e os clientes podem trabalhar diretamente com a Q by Aston Martin na criação da sua própria cor.

Quando apenas 150 automóveis serão fabricados, a expressão “igual ao do vizinho” torna-se socialmente inadmissível.


9. UM HABITÁCULO NOVO — E VISUALMENTE MAIS LEVE

O interior não foi simplesmente transferido do Vanquish. A Aston Martin desenvolveu uma arquitetura própria em torno do princípio de leveza visual.

Habitáculo do Aston Martin Valen visto do lugar do condutor
O habitáculo do Valen organiza-se em torno do condutor: painel horizontal, consola estreita e inclinada, comandos físicos e uma combinação muito Q de pele clara, fibra de carbono e apontamentos alaranjados. Foto oficial: Aston Martin.

A consola central é estreita, inclinada para o condutor e construída com o auxílio de componentes impressos em 3D. O conjunto de comandos de desempenho vem do Valhalla; o ecrã central surge mais reclinado, integrado na geometria baixa do painel.

Consola central do Aston Martin Valen
A consola central combina fibra de carbono, comandos rotativos e teclas físicas, mantendo as funções de condução acessíveis sem transformar o habitáculo numa parede de ecrãs. Foto oficial: Aston Martin.

O comprador pode escolher entre bancos Sports Plus, concebidos para combinar apoio lateral e conforto em longas viagens, ou bancos Performance em fibra de carbono, destinados a uma utilização mais intensa.

Bancos e revestimentos interiores do Aston Martin Valen
Bancos, portas e revestimentos mostram o novo padrão de acolchoamento e a amplitude de personalização proporcionada pela Q by Aston Martin. Foto oficial: Aston Martin.

Depois começa o universo Q: pele semi-anilina com Alcantara ou integralmente em pele, cinco distribuições cromáticas — Monotone, Duotone, Light Duotone, Tritone e Driver Focused —, novos padrões acolchoados, pacotes de contraste e uma paleta ampliada de acabamentos anodizados.

O Valen pode ser configurado como arma de circuito, grande viajante ou objeto de coleção. O compartimento traseiro oferece 170 litros e pode receber um conjunto de bagagem específico, acompanhado por uma proteção desdobrável para evitar que as malas risquem a pintura.

Sim, alguém se lembrou de como transportar bagagem num supercarro de 850 cv. Isto continua a ser um Aston Martin.


10. FICHA TÉCNICA ASTON MARTIN VALEN

Característica Especificação oficial
Marca e modelo Aston Martin Valen
Tipologia/segmento Supercarro de produção limitada
Carroçaria Coupé de 2 portas e 2 lugares; painéis integralmente em fibra de carbono
Configuração Motor dianteiro-central; tração traseira
Comprimento Não divulgado oficialmente
Largura Não divulgada oficialmente
Altura Não divulgada oficialmente
Distância entre eixos Não divulgada oficialmente
Vias dianteira/traseira Não divulgadas oficialmente
Peso em vazio Não divulgado oficialmente
Distribuição de massas Não divulgada oficialmente
Estrutura/plataforma Plataforma V12 da Aston Martin; composição estrutural detalhada não divulgada
Motor térmico V12 a gasolina, 5,2 litros, dois turbocompressores
Posição do motor Dianteira-central
Distribuição e injeção Não divulgadas especificamente para o Valen
Potência máxima 850 cv (850 PS)
Binário máximo 1000 Nm a partir das 2500 rpm
Regime de potência máxima Não divulgado oficialmente
Transmissão Automática ZF de 8 relações, calibração inspirada no Vantage GT4
Diferencial Tipo e especificação não divulgados oficialmente
Modos de condução Sport, Sport+ e Track
Redução de massa anunciada Até 110 kg face à plataforma V12 regular
Pacote leve opcional Menos 16,9 kg adicionais
Materiais do pacote leve Braços e mangas de eixo maquinados em alumínio; parafusos de chassis em titânio
Suspensão Molas principais e auxiliares específicas; amortecedores semiativos Bilstein DTX; subchassis traseiro solidamente montado
Direção Assistida e recalibrada para o Valen; relação e diâmetro de viragem não divulgados
Jantes Magnésio, 21 polegadas
Pneus dianteiros Pirelli P Zero R 275/35 ZR21
Pneus traseiros Pirelli P Zero R 325/30 ZR21
Tecnologia dos pneus Pirelli Cyber Tyre, integração Bosch
Travões dianteiros Carbocerâmicos, 410 mm
Travões traseiros Carbocerâmicos, 360 mm
Escape Titânio; quatro ponteiras impressas em 3D
Aerodinâmica Splitter dianteiro, saias escalonadas, geradores de vórtices, fundo trabalhado, difusor ascendente e bordo traseiro tipo Gurney; valores de carga e coeficiente não divulgados
0–60 mph 3,0 segundos, valor anunciado pelo fabricante
0–100 km/h Não divulgado oficialmente
Velocidade máxima 214 mph / 345 km/h, limitada eletronicamente
Consumo combinado Não divulgado oficialmente
Emissões de CO₂ Não divulgadas oficialmente
Capacidade de bagagem 170 litros
Produção 150 exemplares
Primeiras entregas Segundo trimestre de 2027
Preço Não divulgado à data da apresentação

Nota SPUNIQCARS: a Aston Martin divulgou oficialmente o tempo dos 0 aos 60 mph, não dos 0 aos 100 km/h. Preferimos conservar o dado homologado pela marca em vez de apresentar uma conversão estimada como se fosse um valor oficial.


11. VALEN CONTRA O TEMPO

Traseira do Aston Martin Valen
Quatro saídas de escape em titânio — duas permanentemente abertas e duas comandadas por válvulas —, barra luminosa integral e um difusor de proporções quase hiperbólicas. Foto oficial: Aston Martin.

O Valen chega numa fase estranha e fascinante da história do automóvel.

Os hipercarros modernos utilizam eletrificação para alcançar potências absurdas. A aerodinâmica ativa tornou-se corrente. A tração integral permite acelerar com uma violência que, há poucos anos, pertencia à ficção. A eficiência, o software e a capacidade de repetição dominam o discurso técnico.

O Valen não ignora a eletrónica — pelo contrário, usa sensores nos pneus, amortecimento adaptativo e uma sofisticada gestão dos controlos dinâmicos. Mas preserva no centro da experiência uma ideia antiga: um grande motor de combustão, montado à frente, ligado às rodas traseiras e ouvido sem pedir desculpa.

Não é um automóvel contra o futuro. É um automóvel que se recusa a deixar o passado desaparecer sem lhe oferecer uma última evolução.

Talvez seja isso que o torna tão importante. O Valen não procura provar que a arquitetura clássica ainda pode sobreviver. Procura demonstrar que ela ainda pode avançar.


12. VEREDICTO SPUNIQCARS

O Aston Martin Valen é a aristocracia britânica depois de perder a paciência.

Tem a proporção de um grande GT de Newport Pagnell, a potência de um hipercarro contemporâneo, materiais de competição, tecnologia invisível e uma carroçaria que troca a discrição por uma ameaça cuidadosamente esculpida.

Nem todos amarão a frente profundamente recortada. Nem todos aceitarão a traseira sem vidro como uma evolução natural da elegância Aston Martin. Mas ninguém poderá acusá-lo de indiferença.

E isso importa.

Porque os grandes Aston Martin nunca foram apenas meios rápidos de chegar a um destino. Foram interpretações muito britânicas da força: potência sem vulgaridade, luxo sem passividade, velocidade sem perda de cerimónia.

O Valen acrescenta uma nova palavra a esse vocabulário. Uma palavra latina que significa forte e poderoso, pronunciada através de doze cilindros e quatro tubos de titânio.

Serão construídos somente 150. As primeiras entregas estão previstas para o segundo trimestre de 2027. A maioria de nós talvez nunca encontre um na estrada.

Mas eis a verdadeira medida de um automóvel especial: não precisamos de o possuir para compreendermos por que razão deveria existir.

O Valen existe porque, algures em Gaydon, alguém ainda acredita que a emoção não é um subproduto da engenharia.

É o seu objetivo.


13. A PERGUNTA SPUNIQCARS

Se vos entregassem as chaves de um dos 150 Aston Martin Valen, escolheriam a carroçaria em Satin Andromeda Red, tal como o automóvel de apresentação, ou mostrariam ao mundo toda a fibra de carbono — e qual seria a primeira estrada onde deixariam o V12 cantar?

Nós já temos uma ideia. Uma longa subida, um asfalto com história e curvas suficientes para obrigar os 1000 Nm a aprender boas maneiras…


VÍDEO OFICIAL


FONTES E CRÉDITOS

CRÉDITOS EDITORIAIS SPUNIQCARS

Editor-Chefe e decisão editorial final: António Ricardo
Pesquisa, estruturação, redação e desenvolvimento editorial: Francisco Quântico, assistente de Inteligência Artificial na parceria SPUNIQCARS × Francisco Quântico
Identidade editorial e publicação: SPUNIQCARS
Fotografias e documentação técnica: Aston Martin Lagonda / Aston Martin Media

Francisco Quântico é a identidade editorial utilizada pelo assistente de Inteligência Artificial nesta parceria. A sua contribuição não substitui a responsabilidade, supervisão nem a decisão editorial final de António Ricardo enquanto Editor-Chefe da SPUNIQCARS.


Artigo preparado em português europeu para publicação nos canais SPUNIQCARS. Versão revista segundo o Regulamento Editorial SPUNIQCARS de 24 de agosto de 2026. Dados técnicos correspondentes à informação oficial disponível nessa data.