Decorria o ano de 2023 quando a Alpine Cars apresentou um concept car que recebeu o nome de A290_ β (A290 ‘beta’), uma clara antevisão do que viria a ser o carro de produção, o primeiro da filosofia Dream Garage da marca fundada por Jean Rédélé. Nele foram colocados dois motores elétricos dianteiros aliados a um sistema de vectorização de binário, com homologação da FFSA (federação francesa de automobilismo) para utilização em pista, uma posição central para o condutor e dois bancos laterais para os passageiros (estilo McLaren F1).
Muitas das características deste protótipo, concebido na mesma linhagem de design que o futurista Alpine Alpenglow, passaram para a versão definitiva de produção, tais como a típica assinatura visual das quatro luzes dianteiras em forma de X, as distintivas asas, as jantes Snowflake e ainda os pneus Michelin especialmente concebidos. Ah, e ainda uma espécie de botão mágico “embutido” no volante, chamado Overtake, que dá alguns cavalos extra durante alguns segundos… mais precisamente, dez segundos!
Tempos mais tarde, no cada vez mais global evento de corridas de resistência envolvendo carros de Sport Protótipo e de Grande Turismo – as 24 Horas de Le Mans que sempre se desenrolaram no mítico circuito de La Sarthe, – a Alpine Cars, ao mesmo tempo que fazia regressar à categoria máxima um Hypercar totalmente construído de raiz, apresentava finalmente a versão definitiva de produção… com cinco lugares sentados (qual McLaren F1, qual quê?!), com o nome definitivo de A290. O CEO da firma fundada em Dieppe afirma peremptoriamente que “marca a introdução da Alpine a um público mais vasto e ressuscita uma categoria esquecida, o hot hatch, tão acarinhado pelo prazer de condução que proporciona.”. Ora esta afirmação remete para um tempo muito distante, mais propriamente nas décadas de 70 e 80 do século XX, quando a Renault começara a tomar conta dos destinos da Alpine, lançando uma versão mais desportiva do Renault 5 original que recebeu a designação de Renault 5 Alpine (também conhecido como A5), em duas fases: primeiro, com o motor atmosférico, depois com o motor sobrealimentado a turbo. Nessa era foram vendidas 56 mil unidades da primeira série (1976 a 1980) e 23 mil da segunda série (1981 e 1984), no que foi uma forma de homenagem que a Renault fez em vida a Jean Rédélé. Voltando à atualidade, a Alpine Cars lançou um plano muito ambicioso de lançamento de novos modelos 100% elétricos, em resposta a dois fatores: por um lado, o sucesso tremendo do neoclássico A110 (que entretanto terminará a sua produção no ano de 2026 depois de várias versões fabricadas); por outro, o apelo à eletrificação da sua gama e à diversificação da sua gama de modelos, que toma a forma de Dream Garage, que será composta não só pelo hot hatch A290, mas também pelo sucessor do atual A110 de combustão e pelo GT Crossover A390 cuja forma definitiva foi desvendada a 27 de maio de 2025. Muito recentemente, apresentou um protótipo de um hipercarro com motor V6 alimentado a hidrogénio (que servirá de base não só a um futuro hipercarro de estrada, mas também a um possível protótipo de corrida que poderá estrear já em 2028 em Le Mans, isto caso a FIA autorize a participação de carros a hidrogénio. Mas, enquanto não chega esse tempo, importa agora conhecermos em detalhe o novo Alpine A290… que podia muito bem chamar-se Alpine A5, estabelecendo um elo numérico 100% simbiótico com o nouveau R5. Mas estes tipos da Alpine preferem usar três dígitos ao invés de apenas um… se calhar é uma questão perfecionista. Alguém me pode explicar?
Mas, antes disso…
Para adoçar este artigo, e uma vez que vamos entrar já de seguida em detalhes deliciosamente técnicos, a Emoção Automóvel tem o prazer de vos apresentar aquele que é o primeiro filme da saga “Um Sonho Alpino” , onde a estrela é justamente o Alpine A290, mais especificamente a versão GTS Premiere Edition. Agradecemos à Alpine Store Porto pela excelsa e generosa contribuição para este filme. Também por isso e muito mais, vale a pena ver este filme até ao fim, cuja data de estreia ficou marcada para 16 de janeiro de 2026 pelas 21:15h!
CARACTERÍSTICAS DO NOVO “HOT HATCH” FRANCÊS
O novo Alpine A290 inicia uma nova era de modelos desportivos 100% elétricos da firma de carros desportivos premium de filosofia franco-alpina, assente em três pilares que sempre estiveram presentes nos 70 anos da marca que constituem a “espinhal dorsal” do ADN Alpine: performance, agilidade e leveza. Partilhas as suas formas com o seu irmão Renault 5 e, tal como este, assenta na plataforma elétrica da Ampere (derivação AmpR Small), empresa do Grupo Renault responsável pela eletrificação dos seus veículos. Claro está, pelas suas formas e dimensões, que o novo modelo se insere no segmento B, com a enorme vantagem de, mais do que oferecer as mesmas sensações de condução do modelo A110, ser ágil e compacto, conferindo uma performance desportiva nas proporções (quase) exatas às do modelo que serve de inspiração, ao passo que promove uma utilização diária confortável. Tem ainda a particularidade de possuir uma bateria compacta e serviços de energia para otimizar a recarga em ambiente doméstico, incluindo a Mobilize Power e a recarga V2G bidirecional, constituindo assim um ecossistema elétrico que otimiza o aproveitamento de energia para ambos os lados – carro e casa. E se o neoclássico A110 era vanguardista, o novo A290 ainda mais, apostando num design vincado, utensílios técnicos de primeira classe, conectividade abrangente e intuitiva como nunca e ainda inúmeras possibilidades de personalização de condução. Pelo seu posicionamento no mercado, é de esperar que um público mais vasto e paritário se sinta particularmente mais propenso a adquirir ou, pelo menos, a experimentar o novo citadino/utilitário desportivo, seja pelo estilo, seja pela performance. O novo A290 é fabricado quase na totalidade em França, sendo que a produção das baterias foi transferida para território gaulês no verão de 2025.

DESIGN EXTERIOR – PURA EXPRESSÃO DE DESPORTIVIDADE
Exteriormente, o novo A290 apresenta um aspeto musculado, face às suas dimensões compactas que apresenta: comprimento de 3.990 mm, largura de 1.820 mm, altura de 1.520 mm e distância entre eixos em 2.530 mm. A isso acresce – face ao “normal” Renault 5 E-Tech – um alargamento das vias em 60 mm, para uma melhor aderência em estrada e pista, mas também para uma presença visual mais distinta e desportivamente mais assertiva. Assim, o A290 ganha um carácter distinto, tal como todos os modelos Alpine anteriores. A sua personalidade é reforçada pela assinatura luminosa única, reconhecível de longe e composta por quatro faróis dianteiros (uma imagem de marca da Alpine), com motivos em forma de X com reminiscência nos antigos Alpine de rali, exibindo automaticamente uma animação de boas-vindas assim que o cartão mãos livres é detetado quando o condutor se aproxima; mas também pelos guarda-lamas largos, as saias laterais que incorporam um subtil rebordo na cor da carroçaria, a borda do tejadilho em alumínio (ou azul anodizado de série em versões específicas), a bandeira francesa (opcional) no pilar C, a antena preta de tubarão (de série), os logótipos das asas (dependendo da versão), o contorno da carroçaria e as asas lacadas a preto, a linha distinta que anima a porta traseira e, por fim, o difusor no para-choques traseiro. Na frente, está escrito o nome Alpine, e um típico motivo de floco de neve está integrado no exclusivo para-choques já de si desportivo.
Em nenhuma fase da conceção e do desenvolvimento do projeto foi esquecido o indispensável fator da aerodinâmica, já que este é particularmente influente no campo da autonomia elétrica. De modo a tornar a aerodinâmica mais eficiente, a entrada de ar no para-choques foi moldada para criar um fluxo de ar benéfico, e o mesmo aconteceu com as saias laterais, o difusor, as escovas de limpa-vidros e o formato dos farolins traseiros; ao invés de um spoiler sobredimensionado que interromperia o fluxo de ar na traseira, foi acrescentado um bem mais simplificado ‘rabo de sapo’ na tampa traseira para melhor embelezar a desportividade.
O Alpine A290 está equipado com jantes exclusivas de 19 polegadas com dois desenhos distintos, altamente inspirados no também clássico Alpine A310. Em contraste, as jantes Snowflake recordam as origens da designação ‘Alpine’ e estão disponíveis em acabamentos “preto brilhante”, “preto semibrilhante” ou “preto diamante”. Como opção está disponível um fundo azul atrás do logótipo Alpine nas rodas. Já as pinças de travão dianteiras monobloco Brembo de quatro pistões são exatamente as mesmas do A110. As pinças dianteiras e traseiras estão disponíveis em ‘Vermelho Racing’ ou em ‘Azul Alpine’. Quanto a cores de carroçaria, o Alpine A290 inclui quatro cores, incluindo a exclusiva cor ‘Alpine Vision Blue’, aprimorada com uma profundidade especial para proporcionar um maior contraste entre as áreas claras e escuras. No lançamento da série especial limitada Première Edition, a primeira série de produção, limitada a específicas 1955 unidades (alusivas ao ano da fundação da Alpine Cars), serão lançadas quatro versões: Première Edition em ‘Deep Black’, Beta em ‘Nival White’, La Bleue em ‘Alpine Vision Blue’ e La Grise em ‘Tornado Matte Grey’. Já agora, e para quem já viu o filme “Um Sonho Alpino – Aventura no Douro com o Alpine A290”, aqui vai um quiz: o padrão de carroçaria do exemplar que participou no ensaio? As seguintes fotos são elucidativas…
DESIGN INTERIOR SUSTENTÁVEL COM LAYOUT DE COCKPIT DE COMPETIÇÃO
O interior do A290 partilha muito do seu design com o seu irmão gémeo Renault 5, à semelhança com o exterior, contudo o revestimento e até detalhes exclusivos da Alpine que são comuns ao modelo A110 criam todo um ambiente de competição, ao mesmo tempo que elevam a qualidade para um nível de desportividade premium. O primeiro grande destaque vai para a cor escolhida para o revestimento do interior, denominada ‘Deep Blue’, que encaixa na perfeição no ambiente alpino que o carro pretende transmitir. O condutor pode desfrutar em pleno de um cockpit que lhe atrai os sentidos para uma condução bem animada, enquanto que o espaço reservado para o passageiro possui no tablier uma retroiluminação do nome do modelo, sendo ambos os lados complementados com uma iluminação ambiente ajustável. O moderno e esculpido volante desportivo de três raios (de aspeto semelhante do A110), com o ponto central achatado, é revestido de couro Nappa, com um amplo arco de volante para uma melhor aderência; inclui vários botões específicos em alumínio inspirados no mundo das corridas de F1, com o botão rotativo RCH (para Recharge) à esquerda, para definir o nível de regeneração, os vários modos de condução à direita e o botão vermelho OV (para Overtake) imediatamente reconhecível acima. O volante inclui ainda comandos para ajudas à condução, telefone, assistente de voz e modo de visualização de instrumentos. Existe também um pod de controlo de áudio personalizado, uma evolução feliz de um “apêndice” que não é mais do que já estamos habituados a ver em todos os modelos do Grupo Renault desde finais do século XX! Não podiam faltar os pedais desportivos e um apoio para os pés a condizer, para completar o cockpit do condutor. Outra reminescência do neoclássico A110 é a consola central alta entre os dois bancos dianteiros que incorpora os controlos de transmissão em forma de três botões redondos de toque que compõem a sigla RND (R=rear, N=neutral e D=drive); cada detalhe desta área foi cuidadosamente “esculpido”, com o nome do carro gravado no apoio de braço central, o acabamento Alpine ‘Snowflake’ no compartimento da chave e a consola revestida em couro Nappa de alta qualidade. Completando a ergonomia de condução desportiva do A290, encontra-se no enorme painel de instrumentos o ecrã central de 10,1 polegadas, inclinado para o condutor, e os controlos físicos do ar condicionado que podem ser ajustados sem tirar os olhos da estrada.
Os bancos, esses são de design exclusivo, altamente convidativos e com estofos fabricados de material ecológico, oferecendo um suporte extra lateral ao mesmo tempo que promovem o conforto em qualquer tipo de condução ou de andamento. Nas versões de base, os assentos são revestidos com um tecido granulado, com 15% de plástico reciclado e fibra de cânhamo, combinado com um tecido em ‘Deep Blue’ 100% reciclado com costuras contrastantes em cinza sílica e um logótipo A em forma de seta eletrossoldado na parte superior dos encostos. O painel de bordo, as zonas laterais da consola central e os painéis das portas são almofadados com um tecido de revestimento granulado. Já nas versões topo de gama GT Premium e GTS, os bancos, o painel de bordo e os painéis das portas são revestidos em pele Nappa ‘Deep Blue’ e ‘EeVee Grey’. O logótipo ‘Alpine’ está gravado nos encostos de cabeça em pele, e o lettering ‘A290’ está bordado no centro do medalhão do encosto. A pele Nappa é proveniente da Europa e processado de forma sustentável, sendo curtido com vagens de grãos de café e agentes vegetais para o acabamento.
PLATAFORMA ELÉTRICA QUE PROMOVE DINÂMICA E DESPORTIVIDADE ACESSÍVEIS
O novo A290 utiliza uma plataforma específica para veículos 100% elétricos, neste caso a AmpR Small, em forma de skate, que teve o objetivo de promover a mobilidade elétrica automóvel em modo desportivo. Tem a particularidade de, para além de baixar o centro de gravidade, otimizar a distribuição de peso e, neste caso específico, reduzir o peso no eixo dianteiro, em boa parte graças à dimensão fina da bateria, com benefícios para o espaço interior. Isto deu espaço para reduzir a secção frontal do modelo e para manter a distância entre eixos curta, ao passo que deu ainda margem para aumentar a largura das vias, para uma utilização de pneus maiores e, consequentemente, maior tração rolante nas curvas. Os engenheiros puderam, pois, colocar um motor elétrico proveniente do segmento superior – tal como Jean Rédélé fez com o motor do seu 4CV (colocou-lhe um turbo) transformado no primeiro Alpine da história, o A106 -, assim como acrescentar um sistema de suspensão exclusiva, travões específicos, pneus dedicados e gestão do binário, e claro está, uma afinação mais desportiva. Resultado? Aceleração de 0 a 100 km/h de 6,4 segundos, potência máxima de 220 cv e 300 Nm de binário. Mas… um desportivo não seria desportivo se não fosse prático (e seguro), e até nesse ponto a equipa de fábrica esteve de parabéns, ao garantir uma excelente habitabilidade nos 3 lugares traseiros, uma generosa capacidade da bagageira, cifrada em 326 litros, e um raio de viragem de apenas 10,20 metros. Mas não é tudo! Foi também criado um subchassis de motor especial, em alumínio, para melhorar o posicionamento do motor elétrico, mas também a manobralidade e uma filtragem mais apurada de irregularidades do piso. O reduzido tamanho da bateria (ficar ainda mais pequena do que está seria irrealista) contribui para uns modestos 1.479 kg, registo que, não sendo o ideal, é bom quanto baste para uma excelente dinâmica do carro. O facto de toda a suspensão utilizar batentes hidráulicos é uma mais-valia para um comportamento mais equilibrado do carro, o que juntamente com o baixo centro de gravidade, faz com que o A290 praticamente “deslize sobre carris”. Uma novidade deliciosa – que na realidade não é nenhuma novidade na história da Alpine, é a utilização de uma suspensão traseira multibraço que faz com que as rodas traseiras praticamente não oscilem da sua posição vertical em relação ao solo. Num desportivo de renome, não podiam faltar as barras estabilizadoras, colocadas na dianteira, mas também na traseira, tornando o comportamento do carro ainda mais divertido ao ponto de se poder explorar as curvas no limite da aderência, sem o mínimo perigo de derrapagem… a não ser que não seja o condutor certo para o A290, sobretudo se não souber tirar partido do sistema de travagem, cuja sensibilidade do pedal do travão foi melhorada, sendo a travagem controlada não por via mecânica, mas sim através de um sistema by-wire, que controla também a transição entre a travagem hidráulica e a travagem regenerativa, esta última nivelada através do botão rotativo Recharge montado no volante. Para uma condução mais ao gosto do condutor de acordo com as suas necessidades quotidianas (e uma melhor gestão do binómio razão/emoção), existe quatro modos de condução criados pela Alpine: ‘Save’, ‘Normal’, ‘Sport’ e ‘Personal’. Este último permite o ajuste independente do nível de assistência à direção, da resposta do acelerador, do ambiente de iluminação e do Alpine Drive Sound. Quanto ao Controlo Eletrónico de Estabilidade (ESC), este pode ser completamente desligado.
Por último, o obrigatório ADAS é composto por 26 sistemas de assistência ao condutor, os quais incluem: monitorização da atenção do condutor, travagem automática de emergência em marcha-atrás, deteção de avanço e recuo com correção de faixa de emergência e saída segura dos ocupantes. Um novo botão My Safety Switch, localizado no lado esquerdo do volante, permite aos condutores selecionar as suas preferências de configuração do ADAS com um único gesto, escolhendo, por exemplo, se pretendem ligar ou desligar o ADAS, o nível de intervenção e a presença de alertas sonoros. Além disso, um sistema de cruise control adaptativo com função stop-go e função de saída de faixa para permitir a passagem de veículos de duas rodas, por exemplo, são de série no A290.
AS MOTORIZAÇÕES DO A290 – O MELHOR BINÓMIO PERFORMANCE/EFICIÊNCIA
Dependendo das versões de equipamento, o motor do Alpine A290 apresenta dois níveis de potência: 180 cv nas versões GT e GT Premium, e 220 cv nas versões GT Performance e GTS. Em qualquer dos casos, ao invés de uma brutal resposta de acelerador proporcionada pela generalidade dos BEV (devido à totalidade de binário disponível logo no primeiro pisar de acelerador), no A290 a resposta do acelerador está calibrada para níveis de aceleração progressiva de acordo com a força aplicada no pedal do acelerador e o modo de condução selecionado, para um melhor controlo dos elevados níveis de potência e de binário, para conferir ao hot hatch citadino um estatuto real de verdadeiro desportivo. Para que este real feeling de condução fosse atingido, os engenheiros desenvolveram um sistema de gestão de binário, o Alpine Torque Precontrol, que possibilita um ajuste muito preciso da entrega de binário ideal, atuando também nos travões para maximizar a tração. É na versão mais potente que o Alpine atinge o pico de aceleração de a 100 km/h, fixado em 6,4 segundos. Mas este pico só se consegue quando é ativada a função ‘Overtake’ – proveniente do desporto automóvel e do mundo dos jogos, patenteada pela Alpine -, através do botão vermelho ‘OV’ fixado no volante, ou então, através da função ‘kick-down’ que se ativa com o próprio acelerador. O efeito ‘OV’ pode ser visualizado no ecrã central do Alpine Telemetrics, sob forma de uma animação onde aparece a velocidade instantânea e o tempo restante até o efeito acabar.

O modo como o Alpine A290 regenera a sua energia é bastante sui generis face aos mais variados modelos BEV do mercado, pois em vez de usar patilhas para ajustar níveis de regeneração ou o chamado modo ‘B’ que se ativa através módicas alavancas de caixa automática, a potência de regeneração pode ser ajustada no volante em quatro níveis através de um botão rotativo com a sigla RCH (de Recharge), são eles: nível ‘0’, para total ausência de regeneração, que permite ao veículo rolar totalmente em modo livre; o nível ‘1’ que, por incrivel que possa parecer, permite uma travagem de motor semelhante à do Alpine A110; por fim, os níveis ‘2’ e ‘3’ que aumentam progressivamente o nível de travagem regenerativa, permitindo ao condutor escolher o modo de regeneração mais adequado ao seu gosto, estilo de condução ou condições de condução.

Como nos desportivos mais modernos, o A290 possui uma função de controlo de arranque que, graças a um procedimento simples, proporciona a melhor aceleração possível a partir de um arranque parado, sendo acompanhada de uma fantástica animação especial no painel de instrumentos.
Para contrariar a ideia de que os carros elétricos não fazem barulho, e sem copiar outros exemplos de simulação sonora de outras marcas, a Alpine trabalhou com especialistas em acústica e músicos e com isso conseguiu criar dois tons do chamado Alpine Drive Sound, com diferentes frequências e intensidades com base nos sons gerados pelo motor elétrico, que se difundem através do sistema de áudio Devialet, especialmente concebido para o A290. Genericamente, a autenticidade do som provem dos harmónicos naturais do motor elétrico. A primeira variante do som, Alternative Sound, oferece um timbre leve e desportivo, concebido para uma utilização diária. Já o timbre Alpine Sound é notoriamente muito desportivo, com um padrão sonoro único concebido para ‘invadir’ os sentidos do condutor, ajudando ao mesmo tempo a estruturar as fases da condução. Ambos os sons podem ser desligados e são independentes dos modos de condução. A Alpine também desenvolveu um sistema próprio de alerta acústico de veículos, vulgo AVAS (obrigatório até aos 30 km/h), para avisar os peões da chegada de um veículo elétrico.
UMA EXPERIÊNCIA IMERSIVA, AO ESTILO DA DESPORTIVIDADE ALPINA
Todo o layout físico de suporte aos ‘manómetros’ digitais do A290 foi transportado do seu irmão gémeo Renault 5, sendo composto pelo painel de instrumentos de 10,25 polegadas e o ecrã central de infoentretenimento de 10,1 polegadas, este orientado para o condutor. No entanto, e (obviamente) para gláudio dos ‘alpinistas’, o grafismo, os interfaces e ainda funções específicas são exclusivas da marca premium gaulesa, tudo isto criado para uma verdadeira experiência imersiva de condução chic sportif, altamente inspirada no passado de competição da Alpine e na característica variante francesa da cor azul da tricolor bandeira da República Francesa. O painel de instrumentos, em vez dos mostradores digitais redondos, apresenta um esquema composto por triângulos desenhados por ‘fios’ altamente definidos, dentro dos quais são altamente legíveis os dados da velocidade instantânea (à direita) e do nível de potência fornecida ou recarregada (à esquerda), e ainda uma linha vermelha que simboliza os limites de velocidade decifrados pelo sistema de leitura de sinais de trânsito, enquanto que o nível de regeneração é visível na parte inferior do ecrã. A nova tipografia de exibição de velocidade é nítida e arredondada, tendo como fundo um ecrã azul com silhuetas de montanhas, uma das imagens de marca da Alpine.




Há quatro tipos de esquema de visualização: o ‘Iconic’, com os dois triângulos a incorporar as funções do medidor de potência e do tacómetro, indicando respetivamente a potência e a velocidade instantânea; o ‘Navigation’, que dá primazia à instrumentalização da navegação através do Google Maps, o ‘ADAS’, que mostra a distância de segurança em relação ao veículo da frente exibindo o A290 na cor da carroçaria com animações dos indicadores e das luzes de travagem; por fim, o ‘Minimal’, que mostra as informações básicas. Dependendo do modo de condução escolhido, indicado na parte inferior do velocímetro, o fundo do visor altera o seu tema visual geral: ‘Norma’l, ‘Sport’ (a linha de cume da montanha fica vermelha), ‘Save’ (a montanha toma tons esverdeados) e ‘Personal’.
Já o ecrã central de 10,1 polegadas possui também grafismos dedicados com a mesma filosofia de design gráfico e um interface para o utilizador de acordo com o padrão Alpine, sendo ele dotado de um sistema de infoentretenimento que incorpora o sistema Alpine Portal, baseado no sistema Android Automotive e no Google Automotive Services, podendo receber atualizações remotas ‘over ther air’. Como seria de esperar, este sistema é simples e intuitivo, podendo ser utilizado via touch ou através de um assistente de voz integrado (fazendo um paralelismo com o assistente Reno do Renault 5), e tem o mesmo sistema de planeamento de rotas do irmão gémeo do A290 baseado no sistema GPS do Google Maps. Com ou sem fios, o sistema pode emparelhar e incorporar as aplicações e os ficheiros do smartphone através do Apple Car Play e do Android Auto. O ecrã exibe permanentemente a barra de estado na parte superior (hora, temperatura exterior, rede, entre outros), bem como atalhos para os menus principais à esquerda (início, multimédia, telefone, aplicações e definições do carro) e ainda controlos do ar condicionado na parte inferior. A página inicial pode mesmo ser personalizada através de widgets. Claro está, no caso concreto do hot hatchback ‘alpino’, está incluida a função Alpine Telemetrics – também disponível como aplicação para smartphones, que dá acesso aos futuros condutores (eu incluido) acesso a três categorias principais de serviços ligados à atividade do A290 e que servem para aprimorar os dotes de potenciais pilotos ou pilotos de facto. São elas: ‘Live Data’, ‘Coaching’ e ‘Challenges’.
BATERIA E RECARREGAMENTOS – O PROCEDIMENTO MAIS SIMPLES DO MANANCIAL DESPORTIVO
Para qualquer versão do Alpine A290, a bateria é sempre a mesma, ou seja, de 52 kWh, conferindo uma autonomia em ciclo WLTP de 380 km para a motorização de 180 cv (versões GT e GT Premium) e de 360 km para a motorização de 220 cv (versões GT Performance e GTS). A climatização do puro desportivo citadino está a cargo de uma bomba de calor que é ativada assim que o sistema de climatização é ativado, preservando assim a sua autonomia. O sistema de carregamento em corrente alternada (AC) de 11 kW permite recarregar o A290 de 50% a 80% em apenas 1:20h, bem como recuperar 70 km de autonomia em 1h, ou ainda, “injetar” 10% a 80% em apenas 3:20h. Este carregador incorpora ainda uma função bidirecional que permite utilizar as funções V2L (veículo para carga) para ligar um dispositivo através da tomada de carregamento, sendo também compatível com V2G (veículo para rede), permitindo poupar no carregamento em casa através do serviço Mobilize Power. Já o sistema de carregamento rápido em corrente contínua (DC) tem uma potência máxima de 100 kW e permite carregar a bateria de 15% a 80% em apenas 30 minutos ou até mesmo recuperar até 150 km de autonomia em apenas 15 minutos. De forma a planear com máxima eficiência os carregamentos fora de casa, o sistema de navegação GPS do Google Maps inclui o planeador de rotas elétricas, que considera a rota, o nível de carga, a temperatura da bateria, o consumo em tempo real e o pré-condicionamento automático da bateria (especialmente no frio para garantir máxima eficiência) para calcular a melhor rota, otimizando as etapas de recarga.



Em suma: tendo em conta que a rede de carregadores DC em Portugal é cada vez maior e mais densa em pelo menos algumas áreas metropolitanas deste lindo país “à beira-mar plantado” chamado Portugal, praticamente podemos percorrer em modo sport boa parte das lindas estradas nacionais e regionais de Portugal – sem contar com as auto-estradas, até porque este não é o habitat natural do pocket rocket A290 – desde que não sejamos portadores da “síndrome de ansiedade de autonomia”; percorrer a mítica EN2 que começa em Chaves e termina em Faro é perfeitamente fazível, em regime de passeio turístico e desde que se faça um bom plano de rota por via do bom uso do GPS incorporado do Google Maps e de uma escolha acertada dos postos de carregamento DC disponíveis, tudo isto naquele que seria o maior desafio em termos de distância de lés a lés; por fim, experimentar circuitos com o Alpine A290 é altamente recomendável, até porque além dos excelentes autódromos e kartódromos nacionais que já existem há uma boa data de anos, foi recentementemente inaugurado o Circuito do Sol, resort automobilístico localizado em pleno Alentejo onde está inserido um circuito técnico de classe mundial indicado exclusivamente para testes e eventos privados.
A EXPERIÊNCIA DE CONDUÇÃO DA PREMIERE EDITION DO ALPINE A290
Foi graças ao excelso e generoso apoio da Alpine Store Porto, que abriu portas em pleno verão de 2025, que tive o privilégio de ensaiar uma das 1955 unidades da Premiere Edition do A290. Não querendo propriamente explanar sobre a experiência – até porque o filme, agora disponível no canal de YouTube da Emoção Automóvel, explica pormenores técnicos e um pouco da história da Alpine, mas sobretudo mostra a emoção e a técnica que envolveu a condução desportiva de um novo ícone da indústria automóvel -, não posso deixar de exprimir profunda gratidão por ter conseguido unir-me tão bem a um automóvel que, sendo o primeiro 100% elétrico da marca de Dieppe, ainda por cima um hot hatchback que busca utiliza a base do igualmente popular Renault 5 E-Tech, encarna a alma do criador da marca e, até, a própria essência do conceito do A110 da qual também se alimentará o primeiro SUV crossover, o Alpine A390. A meteorologia e a sinuosidade da estrada também ajudaram (e de que maneira) a catalizar uma das melhores experiências automóveis em estrada que já tive (senão mesmo, a melhor!), que teve o condão de finalizar a temporada de ensaios automóveis de 2025, assim como iniciar uma nova saga de filmes totalmente dedicada à Alpine e, quiçá, trazer para o canal (e à própria saga) uma personalidade portuguesa do mundo das corridas de automóveis que, a partir de 2026, irá representar as cores da Alpine Cars no Campeonato do Mundo de Resistência da FIA/ACO (FIA WEC) ao volante do Alpine A424 (ui, será que vai mesmo acontecer???), representando as cores portuguesas na categoria máxima do campeonato mundial de resistência nas sempre míticas 24 Horas de Le Mans, nada mais, nada menos que o piloto António Félix da Costa, ele que é há já vários anos piloto do FIA Formula E (foi campeão no ano 2020). Vale bem a pena, também por isso, conhecer o carro com o qual ele vai correr em 2026 no FIA WEC.
A todos, continuação de um bom ano de 2026, dentro do possível!…
P.S: Para aqueles que andam distraídos e não ainda viram a mais recente obra-prima da Emoção Automóvel no YouTube na caixa de vídeo que coloquei antes dos capítulos dos detalhes técnicos do Alpine A290, coloco abaixo mais uma caixa com o mesmo filme. Just in case of… Et voilá!








































































































